O Banco Central do Irão adquiriu mais de 500 milhões de dólares em ativos digitais lastreados em dólares nos últimos 12 meses, principalmente para enfrentar a crise do rial e a pressão das sanções dos EUA. Segundo um relatório da empresa de análise de blockchain Elliptic, essas compras ocorreram principalmente em abril e maio de 2025, com os fundos sendo direcionados para exchanges de criptomoedas locais no Irão, onde os usuários podem manter, negociar USDT ou trocar por rial. Essa iniciativa reflete a grave crise financeira enfrentada pelo Irão e marca a expansão do uso de stablecoins na macrofinança para instituições de nível nacional.
Por que o Banco Central do Irão quer comprar ativos digitais?
A pressão financeira sobre o Irão é múltipla. Primeiramente, o país foi excluído do sistema SWIFT, impossibilitando transações através do sistema de pagamento internacional tradicional. Em segundo lugar, as exportações de petróleo estão severamente restritas, impedindo que as receitas de exportação retornem ao país, levando a uma diminuição contínua das reservas de moeda estrangeira. Nesse contexto, a capacidade do Banco Central do Irão de defender o valor do rial e controlar a inflação está gravemente comprometida.
Dilema enfrentado pelo Irão
Soluções tradicionais
Vantagens dos ativos digitais
Exclusão do sistema SWIFT
Impossibilidade de pagamentos internacionais
Transações transfronteiriças sem intermediários
Redução das reservas de moeda estrangeira
Dificuldade em obter dólares
Manutenção do valor em dólares via USDT
Desvalorização do rial
Políticas monetárias ineficazes
Stablecoins oferecem âncora de valor
Sanções dos EUA
Impossibilidade de usar dólares
Evasão da supervisão das autoridades americanas
Como as stablecoins se tornam uma ferramenta “anti-sancções”?
De acordo com a análise da Elliptic, a estratégia do Banco Central do Irão é bastante clara: após adquirir USDT, cria-se uma “camada financeira sombra” através de exchanges de criptomoedas locais. As características dessa camada incluem:
Capacidade de manter o valor em dólares sem possuir dólares diretamente
Não estar sob supervisão direta das autoridades americanas
Os usuários podem trocar USDT por rial a qualquer momento, estabilizando a moeda doméstica
As transações ocorrem inteiramente na rede de criptomoedas, sem passar pelo sistema financeiro tradicional
A beleza desse mecanismo reside no fato de que ele evita as congelamentos impostos pelas sanções americanas ao sistema financeiro tradicional, ao mesmo tempo que utiliza a estabilidade de preço das stablecoins para combater a desvalorização da moeda local. Como a USDT é a stablecoin de maior valor de mercado, com volume de negociação de mais de 108 bilhões de dólares em 24 horas, sua liquidez é suficiente para sustentar aplicações de grande escala.
Que tendência maior isso revela?
As ações do Banco Central do Irão não são eventos isolados. Segundo um relatório da Chainalysis, a escala do ecossistema de criptomoedas do Irão atingiu aproximadamente 7,78 bilhões de dólares em 2025. Isso indica que o Irão está construindo sistematicamente um sistema financeiro baseado em ativos digitais.
De uma perspectiva macro, isso reflete vários fenômenos importantes:
Reconhecimento de stablecoins por instituições de nível nacional
Stablecoins, antes vistas como “ferramentas de especulação”, agora estão sendo utilizadas por bancos centrais para combater sanções e crises financeiras. Isso marca a evolução dos ativos digitais de meros instrumentos de investimento para infraestrutura financeira.
Pressões sancionatórias impulsionam a adoção de criptomoedas
Foi justamente por limitações do sistema financeiro tradicional que o Irão foi motivado a adotar massivamente ativos digitais. Pressões semelhantes podem existir em outros países sancionados ou entidades restritas.
Uma nova forma de dólar
Ao manter valor em dólares via USDT, em vez de usar dólares diretamente, há uma mudança na dinâmica do domínio do dólar. A influência do dólar não depende mais exclusivamente do controle dos EUA, mas é realizada através da rede de criptomoedas.
Avaliação do impacto de mercado
A compra de 500 milhões de dólares tem impacto limitado no mercado de USDT. Em relação ao valor de mercado do USDT (186,84 bilhões de dólares) e ao volume de negociação diário (108,94 bilhões de dólares), não representa uma mudança significativa. Contudo, seu significado é mais simbólico do que pelo volume em si.
Quando um banco central de nível nacional reconhece o valor de uma stablecoin, outros países e instituições em dificuldades semelhantes podem seguir o exemplo. Isso pode impulsionar uma adoção mais ampla de stablecoins em pagamentos internacionais, reservas de valor e outros setores.
Resumo
A aquisição de 500 milhões de dólares em ativos digitais pelo Banco Central do Irão é um sinal importante, indicando que as stablecoins estão evoluindo de instrumentos financeiros civis para infraestrutura financeira de nível nacional. Isso não só reflete a pressão das sanções americanas, mas também demonstra o valor prático dos ativos digitais na evasão do isolamento financeiro.
Em uma análise mais profunda, isso desafia o monopólio do sistema financeiro tradicional sobre os pagamentos internacionais. Quando bancos centrais começam a usar stablecoins para manter operações financeiras, a posição dos ativos digitais está mudando silenciosamente de “ativos de risco” para “infraestrutura essencial”. O que se deve observar no futuro é quantos outros países adotarão medidas semelhantes e se isso impulsionará uma reconfiguração do cenário financeiro global.
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Banco Central do Irão compra 500 milhões de dólares em USDT: Como os ativos criptográficos se tornam uma nova ferramenta para contornar sanções
O Banco Central do Irão adquiriu mais de 500 milhões de dólares em ativos digitais lastreados em dólares nos últimos 12 meses, principalmente para enfrentar a crise do rial e a pressão das sanções dos EUA. Segundo um relatório da empresa de análise de blockchain Elliptic, essas compras ocorreram principalmente em abril e maio de 2025, com os fundos sendo direcionados para exchanges de criptomoedas locais no Irão, onde os usuários podem manter, negociar USDT ou trocar por rial. Essa iniciativa reflete a grave crise financeira enfrentada pelo Irão e marca a expansão do uso de stablecoins na macrofinança para instituições de nível nacional.
Por que o Banco Central do Irão quer comprar ativos digitais?
A pressão financeira sobre o Irão é múltipla. Primeiramente, o país foi excluído do sistema SWIFT, impossibilitando transações através do sistema de pagamento internacional tradicional. Em segundo lugar, as exportações de petróleo estão severamente restritas, impedindo que as receitas de exportação retornem ao país, levando a uma diminuição contínua das reservas de moeda estrangeira. Nesse contexto, a capacidade do Banco Central do Irão de defender o valor do rial e controlar a inflação está gravemente comprometida.
Como as stablecoins se tornam uma ferramenta “anti-sancções”?
De acordo com a análise da Elliptic, a estratégia do Banco Central do Irão é bastante clara: após adquirir USDT, cria-se uma “camada financeira sombra” através de exchanges de criptomoedas locais. As características dessa camada incluem:
A beleza desse mecanismo reside no fato de que ele evita as congelamentos impostos pelas sanções americanas ao sistema financeiro tradicional, ao mesmo tempo que utiliza a estabilidade de preço das stablecoins para combater a desvalorização da moeda local. Como a USDT é a stablecoin de maior valor de mercado, com volume de negociação de mais de 108 bilhões de dólares em 24 horas, sua liquidez é suficiente para sustentar aplicações de grande escala.
Que tendência maior isso revela?
As ações do Banco Central do Irão não são eventos isolados. Segundo um relatório da Chainalysis, a escala do ecossistema de criptomoedas do Irão atingiu aproximadamente 7,78 bilhões de dólares em 2025. Isso indica que o Irão está construindo sistematicamente um sistema financeiro baseado em ativos digitais.
De uma perspectiva macro, isso reflete vários fenômenos importantes:
Reconhecimento de stablecoins por instituições de nível nacional
Stablecoins, antes vistas como “ferramentas de especulação”, agora estão sendo utilizadas por bancos centrais para combater sanções e crises financeiras. Isso marca a evolução dos ativos digitais de meros instrumentos de investimento para infraestrutura financeira.
Pressões sancionatórias impulsionam a adoção de criptomoedas
Foi justamente por limitações do sistema financeiro tradicional que o Irão foi motivado a adotar massivamente ativos digitais. Pressões semelhantes podem existir em outros países sancionados ou entidades restritas.
Uma nova forma de dólar
Ao manter valor em dólares via USDT, em vez de usar dólares diretamente, há uma mudança na dinâmica do domínio do dólar. A influência do dólar não depende mais exclusivamente do controle dos EUA, mas é realizada através da rede de criptomoedas.
Avaliação do impacto de mercado
A compra de 500 milhões de dólares tem impacto limitado no mercado de USDT. Em relação ao valor de mercado do USDT (186,84 bilhões de dólares) e ao volume de negociação diário (108,94 bilhões de dólares), não representa uma mudança significativa. Contudo, seu significado é mais simbólico do que pelo volume em si.
Quando um banco central de nível nacional reconhece o valor de uma stablecoin, outros países e instituições em dificuldades semelhantes podem seguir o exemplo. Isso pode impulsionar uma adoção mais ampla de stablecoins em pagamentos internacionais, reservas de valor e outros setores.
Resumo
A aquisição de 500 milhões de dólares em ativos digitais pelo Banco Central do Irão é um sinal importante, indicando que as stablecoins estão evoluindo de instrumentos financeiros civis para infraestrutura financeira de nível nacional. Isso não só reflete a pressão das sanções americanas, mas também demonstra o valor prático dos ativos digitais na evasão do isolamento financeiro.
Em uma análise mais profunda, isso desafia o monopólio do sistema financeiro tradicional sobre os pagamentos internacionais. Quando bancos centrais começam a usar stablecoins para manter operações financeiras, a posição dos ativos digitais está mudando silenciosamente de “ativos de risco” para “infraestrutura essencial”. O que se deve observar no futuro é quantos outros países adotarão medidas semelhantes e se isso impulsionará uma reconfiguração do cenário financeiro global.