Muitas pessoas pensam que discutir a família de origem é para responsabilizar, culpar os pais ou procurar a origem da sua dor. Mas se ficar apenas por aqui, esse tema não só perde o sentido, como pode se tornar uma nova forma de evasão. A razão pela qual falamos frequentemente sobre a família de origem nesta era é porque os tempos mudaram. No passado, enfatizava-se a obediência, a sobrevivência e a continuidade, enquanto hoje valorizamos a integridade psicológica, a subjetividade, o senso de limites e a autorrealização.
A essência da família de origem carrega a estrutura de valores de uma era passada, e as pessoas que crescem nela precisam enfrentar um mundo completamente diferente. Essa dissonância é quase inevitável, e por isso, quase ninguém sai ileso da família de origem; a diferença está no grau, não na existência dela.
Mas o mais importante não é “eu fui ferido”, e sim “o que vou fazer a seguir”. Se discutir a família de origem for apenas para reafirmar traumas ou defender o status quo, ela ficará apenas na camada da explicação, ou até se tornará uma justificativa, trazendo uma nova estagnação.
Uma discussão verdadeiramente valiosa é tratar a família de origem como um espelho, e não como uma desculpa. Através dela, vemos como o sistema de crenças antigo moldou quem somos: como aprendemos a reprimir sentimentos, evitar conflitos, transformar obediência em segurança, relacionamentos em troca, e a perder limites na intimidade. Esses padrões muitas vezes não são maldade dos pais, mas a lógica de uma época que eles herdaram, que continua operando em nós.
O verdadeiro objetivo de discutir a família de origem é fazer a pessoa perceber que muitas reações automáticas não são “quem eu sou”, mas “o que aprendi”. Uma vez que consiga distinguir esses dois pontos, a mudança se torna possível. Não se trata de acusar os pais, mas de compreender a estrutura; não de negar o amor, mas de distinguir amor e controle; não de cortar relações, mas de reconstruir limites.
Quando uma pessoa entende a família de origem dessa forma, ela deixa de ser apenas uma criança influenciada e passa a ser alguém que assume responsabilidade por si mesma. Falar de forma madura sobre a família de origem, no final, não aponta para a culpa, mas para a renovação; não para o ressentimento, mas para a consciência; não para ficar presa na identidade de trauma, mas para conquistar a liberdade de fazer novas escolhas.
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Muitas pessoas pensam que discutir a família de origem é para responsabilizar, culpar os pais ou procurar a origem da sua dor. Mas se ficar apenas por aqui, esse tema não só perde o sentido, como pode se tornar uma nova forma de evasão. A razão pela qual falamos frequentemente sobre a família de origem nesta era é porque os tempos mudaram. No passado, enfatizava-se a obediência, a sobrevivência e a continuidade, enquanto hoje valorizamos a integridade psicológica, a subjetividade, o senso de limites e a autorrealização.
A essência da família de origem carrega a estrutura de valores de uma era passada, e as pessoas que crescem nela precisam enfrentar um mundo completamente diferente. Essa dissonância é quase inevitável, e por isso, quase ninguém sai ileso da família de origem; a diferença está no grau, não na existência dela.
Mas o mais importante não é “eu fui ferido”, e sim “o que vou fazer a seguir”. Se discutir a família de origem for apenas para reafirmar traumas ou defender o status quo, ela ficará apenas na camada da explicação, ou até se tornará uma justificativa, trazendo uma nova estagnação.
Uma discussão verdadeiramente valiosa é tratar a família de origem como um espelho, e não como uma desculpa. Através dela, vemos como o sistema de crenças antigo moldou quem somos: como aprendemos a reprimir sentimentos, evitar conflitos, transformar obediência em segurança, relacionamentos em troca, e a perder limites na intimidade. Esses padrões muitas vezes não são maldade dos pais, mas a lógica de uma época que eles herdaram, que continua operando em nós.
O verdadeiro objetivo de discutir a família de origem é fazer a pessoa perceber que muitas reações automáticas não são “quem eu sou”, mas “o que aprendi”. Uma vez que consiga distinguir esses dois pontos, a mudança se torna possível. Não se trata de acusar os pais, mas de compreender a estrutura; não de negar o amor, mas de distinguir amor e controle; não de cortar relações, mas de reconstruir limites.
Quando uma pessoa entende a família de origem dessa forma, ela deixa de ser apenas uma criança influenciada e passa a ser alguém que assume responsabilidade por si mesma. Falar de forma madura sobre a família de origem, no final, não aponta para a culpa, mas para a renovação; não para o ressentimento, mas para a consciência; não para ficar presa na identidade de trauma, mas para conquistar a liberdade de fazer novas escolhas.