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“Disputa sobre a ‘Base das Negociações’ — EUA e Irã discordam em tudo, com discursos completamente opostos”
Em torno das negociações EUA-Irã que irão decorrer em Islamabad, as duas partes ficaram presas num impasse de “cada um a falar de uma coisa” por causa da “base das negociações” — a Casa Branca afirma que a parte norte-americana aceita a “versão simplificada modificada” do Irã, enquanto o Presidente da Assembleia do Irã diz que três das dez cláusulas de cessar-fogo já foram violadas e que as negociações “não têm sentido”. Uma parte afirma que “há progresso”, enquanto a outra declara que “a base foi destruída”. Antes mesmo de as negociações começarem, as duas partes já se encontram em pontos de partida narrativos totalmente diferentes.
1. Presidente da Assembleia do Irã: antes do início das negociações, três cláusulas-chave já foram violadas
O presidente da Assembleia Islâmica do Irã, Kalibaf, no dia 8, emitiu uma declaração nas redes sociais, na qual afirmou que as negociações entre o Irã e os Estados Unidos ainda não começaram e que das 10 cláusulas de cessar-fogo propostas pela parte iraniana já foram violadas 3. A declaração sublinha que a profunda desconfiança do Irã em relação aos EUA se deve a repetidas violações, por parte norte-americana, das promessas feitas em várias formas; lamentavelmente, esta situação voltou a repetir-se.
Segundo Kalibaf, o que foi violado inclui três pontos: em primeiro lugar, a questão de um cessar-fogo no Líbano — o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz, já tinha anunciado anteriormente que o Irã, os EUA e os aliados dos dois países concordaram com um cessar-fogo imediato em todas as regiões, incluindo o Líbano, e que este teria “efeito imediato”; em segundo lugar, a proibição de violar o espaço aéreo do Irã — nesse mesmo dia, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã intercetou e abateu um drone no céu sobre Lar, na província de Fars; em terceiro lugar, a aceitação das atividades de enriquecimento de urânio do Irã.
Kalibaf enfatizou que esta estrutura-base das negociações já tinha sido violada abertamente antes mesmo de as negociações entre Irã e EUA começarem — “nestas circunstâncias, tanto um cessar-fogo como negociações não têm sentido”.
2. Casa Branca: os EUA estão a aceitar uma “versão simplificada modificada”
Em contraste nítido com as declarações da parte iraniana, a Casa Branca apresentou uma narrativa completamente diferente. A porta-voz da imprensa da Casa Branca, Levitt, no dia 8, anunciou numa conferência de imprensa que os EUA e o Irã vão realizar a primeira ronda de conversações em Islamabad, capital do Paquistão, na manhã do dia 11, hora local.
Levitt afirmou que as 10 propostas iniciais do Irã eram “inaceitáveis”; em seguida, o Irã apresentou uma “versão simplificada modificada” que seria “mais razoável e mais concisa”, e o Presidente Trump e a sua equipa consideram que esta nova proposta, após alterações, “pode servir de base para negociações” e poderá alinhar-se com o plano de 15 pontos apresentado pelos EUA. Sublinhou ainda que a “linha vermelha” de Trump, exigindo que o Irã parasse as atividades de enriquecimento de urânio, não mudou; as alegações de que Trump aceitaria um acordo “tipo lista de desejos” do Irã são “totalmente absurdas”.
Quanto à “base das negociações”, Levitt indicou de forma clara que a alegada “proposta de cessar-fogo de 10 pontos” que circula no exterior não é a base das negociações que os EUA estão a aceitar. A proposta submetida pelo Irã é uma “versão simplificada modificada e completamente diferente”, que “pode servir de base para negociações” e será alinhada com a “proposta de 15 pontos” apresentada pelos EUA.
3. Declarações de Trump: negociações à porta fechada, excluindo “interferências”
O próprio Trump também fez ouvir a sua voz sobre o desenrolar das negociações. Publicou um texto afirmando que “muitas pessoas que não têm nada a ver com as negociações EUA/Irã estão a enviar todo o tipo de acordos, listas e cartas”; em muitos casos, “são absolutamente aldrabões, charlatães de rua e, em alguns casos, ainda pior”. Trump afirmou que “apenas um conjunto de ‘termos’ com significado para os EUA é aceitável; discutiremos esses pontos à porta fechada durante as negociações” e disse que estes pontos são a base para o acordo de cessar-fogo.
A informação revelada por esta declaração é a de que Trump pretende avançar com as negociações num ambiente fechado, sem interferência do exterior, ao mesmo tempo que atenua as várias interpretações externas sobre o “plano de 10 pontos” do Irã — quer essas interpretações sejam ou não corretas.
Entretanto, Trump continua a exercer pressão fora do âmbito das negociações. Num post nas redes sociais, escreveu que qualquer país que forneça armas militares ao Irã terá de imediato um aumento de 50% nas taxas de todas as mercadorias que vender aos EUA, com efeito imediato e sem exceções nem isenções.
4. Divulgação do “elenco” das negociações, mas o calendário surge com “duas versões”
Quanto ao planeamento do calendário das negociações, também existem divergências entre as duas partes EUA e Irã. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã tinha anteriormente indicado que as negociações começariam em 10 de abril, em Islamabad, com a duração de duas semanas. Porém, a Casa Branca anunciou que a primeira ronda de conversações terá lugar na manhã do dia 11, hora local; a equipa negocial será liderada pelo vice-presidente norte-americano Vance, e os membros incluem também o enviado especial para os assuntos do Médio Oriente, Witkoff, e o genro de Trump, Kushner, entre outros, e que, no futuro, durante as próximas duas semanas, serão realizados encontros à porta fechada.
A parte iraniana, por seu lado, confirmou que o presidente da Assembleia Islâmica do Irã, Kalibaf, vai chefiar a delegação iraniana nas negociações; no entanto, fontes informadas revelaram que a escolha do líder da delegação iraniana ainda não foi finalizada.
A reportagem de acompanhamento do Jīnzhāng Dados (Jin10 Data) também divulgou um detalhe digno de nota: existe uma “versão Yin e Yang” do acordo de cessar-fogo — na versão em persa ficam escondidas cláusulas sobre o enriquecimento de urânio, enquanto na versão em inglês não se encontra nada. Esta informação volta a confirmar a grande divergência entre as duas partes quanto ao problema da base das negociações: até o conteúdo do próprio texto do acordo, as duas partes poderão não estar a trabalhar com o mesmo documento.
Resumo: a Casa Branca diz que os EUA estão a aceitar a “versão simplificada” do Irã, enquanto o presidente da Assembleia do Irã afirma que três das cláusulas de 10 pontos já foram violadas; os EUA afirmam que a base das negociações é a “versão modificada”, enquanto o Irã afirma que “as negociações não têm sentido”; a parte norte-americana anuncia conversações a 11, enquanto a parte iraniana tinha anunciado o início a 10… As negociações ainda não arrancaram oficialmente, mas as duas partes já estão em dois pontos de partida narrativos completamente diferentes. Na mesa de negociações de Islamabad a 11 de abril, não é apenas a divergência quanto às cláusulas que precisa ser colmatada — é também a fissura no entendimento fundamental que as duas partes têm sobre toda a base das negociações.
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