Co-Fundador Acusa Wise de Enganar Investidores em Meio a Conflito de Governação


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Tensões legais aumentam entre Wise e seu cofundador

A Wise, a fintech avaliada em 10 bilhões de libras, conhecida pelos seus serviços globais de transferência de dinheiro, enfrenta sérias alegações de um de seus próprios criadores, conforme reportado pela Sky News. Taavet Hinrikus, que cofundou a empresa e atualmente detém mais de cinco por cento das ações através do seu grupo de investimento Skaala, desafiou publicamente a mais recente decisão de governança da Wise. A disputa centra-se numa proposta de estender a estrutura de ações de classes múltiplas da empresa por mais dez anos, enquanto se prepara para transferir a sua cotação principal para os Estados Unidos.

Hinrikus argumenta que a gestão da empresa sobre esta proposta enganou os acionistas e ignorou a transparência regulatória necessária. Alega que a decisão de combinar a extensão dos direitos de voto especiais com a votação sobre a cotação nos EUA limita injustamente a escolha dos investidores. Em declarações feitas através da Skaala, expressou preocupação de que o processo carece de justiça e coloca riscos desnecessários a todos os acionistas.

Reivindicações contestadas sobre orientação aos acionistas

A situação tornou-se mais conturbada após uma declaração pública emitida pela Wise em 21 de julho. Nesse comunicado, a empresa afirmou que três importantes firmas independentes de aconselhamento de procuradores—ISS, Glass Lewis e PIRC—haviam recomendado apoio às suas propostas de governança. Segundo a Skaala, essa afirmação era imprecisa e distorcia a posição real de pelo menos uma dessas firmas.

A Skaala apontou para um relatório da PIRC datado de 15 de julho, que, segundo ela, recomendava explicitamente votar contra a proposta. O relatório, de acordo com a Skaala, levantou preocupações sobre os padrões de governança e a estrutura do esquema. Apesar de ter sido informada dessa contradição, a Wise não atualizou a bolsa através de um canal formal. Em vez disso, a empresa publicou uma clarificação no seu site em 23 de julho, sem notificar o mercado por meio de um comunicado regulatório oficial.

A Skaala sustenta que essa decisão viola as expectativas básicas de divulgação corporativa. Argumenta que os investidores dependem fortemente da orientação de consultores profissionais de procuradores e merecem atualizações precisas e oportunas quando essas recomendações são mal citadas ou mal interpretadas.

Acusações de injustiça processual

Hinrikus também levantou objeções à forma como a extensão proposta dos direitos de voto foi incorporada na votação mais ampla sobre a cotação nos EUA. Considerou essa abordagem antidemocrática, afirmando que os acionistas eram forçados a aceitar ambas as partes da proposta como uma única decisão, sem possibilidade de votar separadamente.

O presidente da Wise, David Wells, respondeu dizendo que a proposta cumpria os padrões legais para um esquema de arranjo. Acrescentou que separar a extensão de governança do processo de cotação distorceria a forma como esses esquemas funcionam na prática. A Skaala discordou dessa interpretação, afirmando que a empresa recebeu várias sugestões legalmente viáveis para estruturas alternativas.

Segundo a Skaala, essas alternativas foram claramente comunicadas à Wise e citadas pela Glass Lewis em seus comentários aos clientes. A firma afirma que a Wise rejeitou essas propostas sem oferecer explicação pública ou revisão.

Riscos legais futuros para a empresa

A Skaala indicou que a questão pode ser contestada judicialmente. Em particular, alertou que o Tribunal Superior pode recusar a homologação do esquema atual em uma audiência agendada para o segundo trimestre de 2026. A Skaala apontou o que descreveu como falhas graves no processo, incluindo lacunas procedimentais e a forma como as preocupações dos acionistas foram tratadas.

Se o tribunal rejeitar a proposta, a Wise poderá enfrentar atrasos de vários meses. A empresa também pode incorrer em custos adicionais e correr o risco de perder aprovações regulatórias necessárias para a cotação nos EUA. A Skaala argumenta que esses riscos são desnecessários e decorrem de uma decisão de priorizar direitos de voto aprimorados para o atual CEO, Kristo Kaarmann.

Wise responde às alegações

A Wise defendeu sua conduta ao longo da disputa. A empresa afirmou que inicialmente recebeu um relatório da PIRC datado de 10 de julho, que parecia apoiar suas propostas. Alega que não tinha conhecimento do relatório de 15 de julho—que continha aconselhamento contrário—até 23 de julho. Assim que informado, a Wise declarou que solicitou à PIRC que fornecesse os materiais atualizados.

A estrutura original de ações de classes múltiplas foi introduzida durante a sua cotação em 2021 na Bolsa de Londres. Na altura, foi apresentada como uma medida temporária, com expiração prevista cinco anos após a listagem. A proposta atual estenderia esse prazo até 2031, permitindo que a liderança atual mantenha maior controle.

Defensores de modelos de ações de múltiplas classes frequentemente afirmam que eles possibilitam decisões de longo prazo ao proteger as empresas de pressões de mercado de curto prazo. Críticos argumentam que tais estruturas enfraquecem os direitos dos acionistas e reduzem a responsabilização. Neste caso, esses debates mais amplos foram ultrapassados por questões imediatas de precisão, transparência e integridade processual.

Governança e confiança no setor fintech

A disputa colocou a Wise no centro de uma discussão mais ampla sobre governança corporativa no setor fintech. As empresas que atuam nesse espaço frequentemente promovem transparência e inovação, mas a atual controvérsia sugere que as práticas de governança, mesmo entre os nomes mais destacados, permanecem passíveis de questionamento.

Taavet Hinrikus cofundou a Wise com Kristo Kaarmann e ajudou a transformá-la numa das empresas de tecnologia financeira mais conhecidas do Reino Unido. Agora, sua oposição pública à liderança destaca divisões não apenas dentro da empresa, mas também entre seus investidores.

O desfecho da disputa pode influenciar como outras fintechs lidam com transições semelhantes na governança, especialmente ao se prepararem para listar-se em mercados maiores ou mais complexos. Para a Wise, as consequências legais e de reputação podem ser tão relevantes quanto a votação dos acionistas em si.

À medida que a questão avança para revisão judicial, ambos os lados parecem estar preparados para um impasse prolongado. No coração da disputa está uma questão simples: quem decide como o poder é distribuído dentro de uma empresa pública—e sob quais condições.

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