Bitcoin em espera: você deve estar com medo de contar quantas vezes o ouro o superou?

Se está hesitante em reconhecer a realidade do mercado cripto em fevereiro de 2026, há motivos concretos para essa cautela. Os dados mostram uma dinâmica que inverte séculos de expectativas: o ouro não apenas recuperou seu brilho, como deixou o Bitcoin para trás em uma corrida que poucos previam.

A calmaria que Bitcoin experimenta contrasta dramaticamente com a trajectória ascendente do ouro. Enquanto o ouro cotiza acima de $5.000 por onça após uma valorização de 65% durante 2025, o Bitcoin recuou de $126.000 (outubro de 2025) para $68.040 (fevereiro de 2026). O que muitos investidores não percebem é que essa queda de Bitcoin não reflete apenas uma correção de preço, mas uma mudança estrutural na forma como mercados percebem a segurança dos ativos.

Quando o ouro brilha: entendendo a relação de volatilidade Bitcoin-Ouro

A métrica que revela a verdadeira história não está nos gráficos de preço isolados, mas na relação de volatilidade entre os dois ativos. Análise do JPMorgan revelou que essa razão caiu para 1.5—o nível mais baixo em toda a história registrada. Isso significa que Bitcoin está, paradoxalmente, apresentando menos volatilidade que o ouro, invertendo a percepção convencional de que criptomoedas são instrumentos de risco extremo.

No final de janeiro de 2026, a relação entre quantas onças de ouro um Bitcoin poderia comprar havia recuado para aproximadamente 16 onças. Em fevereiro, após vendas intensas, esse número despencou para entre 13 e 14 onças—uma queda de cerca de 60% em relação aos picos de 2025. Esse padrão histórico possui precedentes. Em 2019, Bitcoin experimentou seis meses consecutivos de deterioração dessa mesma relação, seguidos por cinco meses de recuperação superior. CoinDesk destacou essa similaridade estrutural como potencialmente relevante para os próximos meses.

Medo no mercado: por que investidores correm para o ouro em 2026

O movimento em direção ao ouro não é trivial—reflete decisões estratégicas de instituições de peso. O Banco Popular da China (PBOC) completou 15 meses consecutivos de aquisições de ouro. Bancos centrais globalmente adicionaram 230 toneladas na segunda metade de 2025. Goldman Sachs projeta que preços do ouro podem ultrapassar $5.000 até meados de 2026.

A deterioração macroeconômica global amplifica essa preferência. O deficit orçamentário dos EUA ultrapassará $1 trilhão no ano fiscal de 2026. O Federal Reserve, após seis cortes de taxa desde setembro de 2024, iniciou compras de títulos—retomando expansão do balanço patrimonial. Tensões geopolíticas ampliam-se entre Estados Unidos e Irã, enquanto setores como tecnologia enfrentam pressão vendedora. Para investidores com medo dessa incerteza, o ouro oferece garantias que Bitcoin simplesmente não proporciona—aceitação universal de bancos centrais, milhares de anos de confiança, valor intrínseco independente.

Quando mercados enfrentaram liquidação em início de fevereiro, Bitcoin não funcionou como haviam esperado seus defensores. Queda simultânea com ações de tecnologia, perdas superiores a $775 milhões em posições alavancadas, e recusa de grandes fundos em recomprar—Bitcoin comportou-se como ativo de risco, não como proteção. Os fundos de índice de Bitcoin nos EUA que acumularam 46.000 bitcoins em 2025 agora vendem mais do que compram em 2026.

El Salvador mostra o caminho: estratégia de duplo ativo que muitos ignoram

Enquanto o mercado debate Bitcoin versus ouro como escolha binária, El Salvador demonstrou pragmatismo sofisticado. Na mesma semana em que seu banco central adquiriu $50 milhões em ouro, o governo adicionou mais um Bitcoin ao programa de acumulação diária—levando holdings de Bitcoin acima de 7.500 moedas. A estratégia não é contraditória; é complementar.

Ouro funciona como estabilizador de reservas, liquidez em crises, garantia de empréstimos internacionais. Bitcoin opera como investimento de longo prazo, posição contra debasement monetário futuro. Quando esses ativos caminham em direções opostas—como agora—portfólio contendo ambos reduz risco volatilidade. A correlação negativa entre ouro e Bitcoin, que se intensificou em 2025, torna essa diversificação particularmente atrativa.

JPMorgan estimou que, mantida sua volatilidade histórica, Bitcoin precisaria cotisar em $266.000 para igualar a popularidade de ouro entre investidores privados. Não é previsão de preço para 2026, mas indicador de potencial de longo prazo quando sentimento normalizarse.

O que vem a seguir para Bitcoin: sinais de uma potencial recuperação

O mercado transmite um sinal claro: ouro lidera, Bitcoin aguarda. Mas essa hierarquia não é eterna. Padrões históricos sugerem que após fase de domínio de ativos defensivos, fluxos realocam-se novamente para ativos de crescimento quando incerteza diminui. Bitcoin não deve ser descartado, mas compreendido em contexto de ciclo macro mais amplo.

A baixíssima volatilidade relativa entre Bitcoin e ouro, paradoxalmente, fornece fundamento técnico para otimismo de longo prazo em Bitcoin. Essa estabilização sugere ciclo de maturação, não morte do ativo. El Salvador e instituições que combinam ambos ativos reconhecem algo que mercados de varejo ainda estão aprendendo: a questão não é Bitcoin ou ouro, é Bitcoin e ouro, em proporções adequadas ao seu timing.

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