De cartão a código: O que a aquisição da Brex pela Capital One indica para pagamentos empresariais

Guillaume Bouvard, Cofundador da Extend.


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A aquisição da Brex pela Capital One surpreendeu muitas pessoas, mas, a pensar bem, faz todo o sentido.

Não se tratou de uma aquisição de cartões. Foi uma decisão de software.

A Capital One está a comportar-se menos como um banco tradicional e mais como uma grande empresa de tecnologia (pense na Google ou Meta), disposta a investir capital sério para adquirir capacidades críticas que criem vantagem estratégica a longo prazo, não apenas recursos incrementais de produto. Vimos essa mentalidade na aquisição da Discover Network pela Capital One, e estamos a ver novamente com a Brex.

Mais importante, esta movimentação sinaliza algo fundamental sobre como a Capital One vê o futuro dos pagamentos empresariais: não como uma competição por crédito, pontos ou benefícios, mas pela qualidade do software que assenta sobre a infraestrutura de pagamentos e ajuda os clientes a operarem de forma mais eficaz num mundo em rápida mudança.

Por que o cartão físico deixou de ser o diferencial nos pagamentos empresariais

Para as empresas hoje, o cartão de crédito físico é cada vez mais uma commodity — e, em alguns casos, até um incómodo.

Cada transação desencadeia uma série de ações subsequentes: aprovações, recibos, categorização, reconciliação e relatórios. Para além disso, esses passos tendem a estar fragmentados entre sistemas, o que faz com que as equipas financeiras gastem mais tempo a procurar informações do que a gerir o negócio propriamente dito.

Por isso, o verdadeiro valor nos pagamentos empresariais não está no cartão físico ou nos sistemas de recompensas, mas nas ferramentas que gerem o pagamento e tudo o que o envolve. As empresas hoje esperam soluções que ofereçam controlo, visibilidade, fluxos de trabalho mais inteligentes, maior eficiência e serviço sob demanda.

As empresas não funcionam com cartões físicos. Funcionam com software. E, cada vez mais, a qualidade dos seus fluxos de trabalho depende da capacidade de orquestrar os gastos antes, durante e depois de uma transação.

A questão já não é quem consegue emitir o melhor cartão, mas quem consegue acrescentar software que elimine fricções, aplique políticas e ofereça clareza às equipas, sem as atrasar.

É aqui que as cartas virtuais e as ferramentas de gestão de despesas ganham destaque.

Cartões virtuais e gestão de despesas: Software no centro do gasto

É fácil pensar nos cartões virtuais como versões digitais de cartões de plástico — mas eles são muito mais do que isso. Quando bem desenhados, os cartões virtuais são instrumentos habilitados por software que incorporam controlos, políticas e inteligência diretamente na própria forma de pagamento.

A gestão de despesas completa esse quadro.

Os cartões virtuais tratam do lado da execução do gasto: como o dinheiro é gasto, por quem e sob que condições. A gestão de despesas resolve o problema da responsabilidade: como esse gasto é capturado, revisto, aprovado e reconciliado entre as equipas.

Quando essas capacidades existem em sistemas separados, as empresas ficam a tentar juntar os fluxos de trabalho depois do facto. A complexidade aumenta, os erros multiplicam-se e a visibilidade deteriora-se. Quando são desenhados em conjunto, como parte de uma única experiência de software, a execução e a responsabilidade reforçam-se mutuamente — reduzindo fricções e facilitando a gestão de gastos em escala.

Desenhar software de pagamento e despesas para como as empresas realmente operam

Desenhar cartões virtuais e gestão de despesas como uma única experiência de software só funciona se esse software refletir a forma como as empresas realmente operam.

Muitas soluções bancárias de pagamento e despesas continuam a ser construídas principalmente para uma única persona: o administrador do programa de cartões. Embora essa abordagem fizesse sentido num mundo mais centralizado, já não reflete como as empresas modernas — especialmente as pequenas e médias — realmente funcionam.

Empregados, gestores, contabilistas, equipas financeiras e contratados iniciam ou interagem com pagamentos. O gasto está descentralizado entre departamentos, ferramentas e fornecedores. Cada um desses papéis usa software diariamente, e as suas expectativas são moldadas pelas aplicações de consumo modernas, intuitivas, nas quais confiam fora do trabalho.

Quando o software de pagamento e despesas é desenhado tendo em conta essas realidades, torna-se um multiplicador de força — permitindo decisões mais rápidas, maior responsabilidade e melhores resultados em todas as equipas. Quando não, até a infraestrutura mais sólida luta para entregar todo o seu valor.

Banca empresarial está a evoluir — não a ser substituída

Por isso, a aquisição da Brex pela Capital One parece menos uma saída do setor bancário tradicional e mais a sua próxima fase.

Bancos, processadores e redes continuam a ser centrais no ecossistema de pagamentos. Essa base não vai desaparecer. O que está a mudar é onde a diferenciação se manifesta aos olhos dos clientes empresariais — menos nas infraestruturas subjacentes, mais no software que assenta por cima, permitindo às empresas operar com confiança e rapidez.

Por que a interface entre empresas e dinheiro importa mais do que nunca

A consolidação do setor que estamos a ver no fintech e nos serviços financeiros não se trata de comprar volume de transações.
Trata-se de possuir a interface entre as empresas e o dinheiro. E essa interface — que abrange pagamentos, cartões virtuais e gestão de despesas — está a tornar-se tão estratégica quanto o próprio dinheiro.

Para bancos, processadores, redes e plataformas que servem as empresas, a mensagem é clara: o futuro dos pagamentos empresariais será definido não só pelo acesso ao capital ou infraestrutura, mas pelo software que capacita todos os utilizadores envolvidos no fluxo de dinheiro.

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