Previsões meteorológicas impulsionam a volatilidade do mercado de café: Citações de primeira chuva moldam a divergência entre Arábica e Robusta

Os mercados de futuros de café apresentaram movimentos fortemente divergentes na quinta-feira, com cotações de primeira chuva revelando como as previsões meteorológicas localizadas repercutem nos mercados globais de commodities. O café arábica de março fechou 5,50 cêntimos mais baixo, a 348,65, uma queda de 1,57%, enquanto o café robusta ICE de março ganhou 34 pontos, atingindo 4.182, um aumento de 0,82%. Esta ação de preços contrastante destaca o papel crítico que os padrões de precipitação desempenham na determinação do sentimento de mercado a curto prazo nos dois principais tipos de café do mundo.

Primeiras Sinais de Chuva no Brasil e no Vietname Criam Divergência de Mercado

As primeiras cotações de chuva da semana refletiram perspectivas meteorológicas divergentes nas regiões produtoras de café do globo. O café arábica enfrentou pressão de baixa devido às previsões que indicam chuvas constantes em Minas Gerais, a principal região produtora de café do Brasil, ao longo da semana seguinte. Por outro lado, o café robusta ganhou terreno com expectativas de precipitação limitada nas Terras Altas Centrais do Vietname, a principal zona de produção do país, nos próximos 10 dias. Esta divisão de mercado impulsionada pelo clima destaca como as previsões regionais de chuva servem como o sinal inicial de precificação para os traders de commodities que monitoram a saúde das plantações e as perspectivas de rendimento.

A maior região de arábica do Brasil, Minas Gerais, apresentou níveis de umidade abaixo da média, recebendo apenas 33,9 mm de chuva na semana que terminou em 16 de janeiro—representando apenas 53% da média histórica. Este período de seca favorece os preços do café, pois a precipitação insuficiente ameaça a floração e o desenvolvimento da colheita. Em contrapartida, a perspectiva meteorológica para o Vietname melhorou o sentimento em relação ao robusta, uma vez que os meteorologistas esperam chuvas reduzidas que podem mitigar preocupações de excesso de oferta na região de produção dominante do Sudeste Asiático.

Sinal de Recuperação de Inventário Indica Abundância de Estoques Globais de Café

As dinâmicas de mercado enfrentam obstáculos devido ao aumento dos estoques globais, apesar das recentes restrições na produção. Os estoques de café arábica monitorados pelo ICE, que haviam caído para um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos em 20 de novembro, recuperaram para 461.829 sacos em 14 de janeiro—um pico de 2,5 meses que indica uma diminuição na pressão de oferta. De forma semelhante, os estoques de robusta do ICE, que atingiram um mínimo de 1 ano de 4.012 lotes em 10 de dezembro, recuperaram para 4.609 lotes na última sexta-feira, marcando um pico de 1,75 meses.

Este acúmulo de estoques, aliado ao forte cenário de produção do Brasil, cria uma pressão de baixa sobre os preços. Em 4 de dezembro, a Conab, agência oficial de previsão de safra do Brasil, elevou sua estimativa de produção total de café de 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em comparação com a projeção de setembro de 55,20 milhões de sacos. A perspectiva de aumento dos estoques globais permanece como um fator de baixa relevante para os participantes do mercado.

Previsões de Produção Apontam para Estoques Mundiais Recordes em 2025/26

O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) projetou que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. No entanto, a composição desse crescimento diverge significativamente entre os dois tipos de café. A produção de arábica deve diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, refletindo desafios estruturais em regiões tradicionais de produção. Enquanto isso, a produção de robusta deve crescer 10,9%, para 83,333 milhões de sacos, impulsionada principalmente pela expansão no Vietname e pela capacidade modesta de robusta do Brasil.

A produção de café no Vietname deve atingir um máximo de 4 anos, de 30,8 milhões de sacos em 2025/26, um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. A Associação de Café e Cacau do Vietname (Vicofa) afirmou em 24 de outubro que a produção de café de 2025/26 será 10% maior do que na safra anterior, se as condições climáticas permanecerem favoráveis, reforçando a trajetória robusta de produção da região. A Organização Internacional do Café (ICO) reforçou as preocupações com o abastecimento, reportando que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro-setembro) caíram marginalmente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos.

Tendências Regionais de Exportação Refletem Dinâmicas de Oferta

O impulso das exportações de café do Brasil contraiu-se acentuadamente, oferecendo um contrapeso à força da produção. A Cecafe reportou que as exportações totais de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos. Dentro dessa queda, as exportações de café arábica diminuíram 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, enquanto as remessas de robusta despencaram 61%, para apenas 222.147 sacos. Essa compressão das exportações, apesar do aumento de estoques, sugere acúmulo de inventário no Brasil e demanda internacional reduzida nos níveis de preço atuais.

Em contraste marcante, o Vietname está inundando os mercados globais com suprimentos de robusta. O Escritório Nacional de Estatísticas do país informou em 5 de janeiro que as exportações de café do Vietname em 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, refletindo a posição do país como maior produtor mundial de robusta. Este aumento nas exportações, aliado às previsões de crescimento na produção, posiciona o Vietname como um importante motor de oferta para os preços globais de robusta ao longo de 2025/26.

Perspectiva de Mercado: Abundância de Oferta Modera Alta de Preços

A avaliação semestral do FAS projeta que os estoques finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Embora este quadro de estoques ligeiramente mais apertados possa inicialmente parecer favorável, a magnitude esperada do crescimento na produção global e a aceleração das exportações do Vietname sugerem que a oferta permanecerá abundante em relação à demanda.

As cotações de primeira chuva continuarão a servir como sinais críticos de mercado, pois os padrões de precipitação localizados em Minas Gerais e nas Terras Altas Centrais do Vietname influenciam diretamente a descoberta de preços de curto prazo. No entanto, o cenário fundamental de produção recorde prevista para 2025/26, aliado à recuperação robusta de estoques, sugere que os rallies impulsionados pelo clima podem encontrar resistência significativa, a menos que ocorram falhas de safra inesperadas em regiões produtoras importantes.

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