Os mercados de café enfrentaram ventos contrários significativos na sexta-feira, com os contratos futuros de robusta a registarem uma retirada notável. Os contratos futuros de robusta ICE de março encerraram a descer 66 pontos, representando uma queda de 1,58%, ao mesmo tempo que atingiam uma mínima de 3,5 semanas. O complexo de arábica mostrou uma fraqueza ainda mais acentuada, com os contratos de arábica de março a caírem 13,25 pontos ou 3,845%, marcando uma mínima de 5,5 meses para os contratos de vencimento mais próximo. A venda dupla de contratos reflete preocupações crescentes sobre a dinâmica da oferta global de café e as previsões de produção em regiões-chave de cultivo.
Mudanças Climáticas Alteram Perspectivas de Oferta no Brasil
O principal catalisador para as perdas de sexta-feira centra-se nas expectativas meteorológicas para o cinturão principal de café do Brasil. As previsões indicam chuvas constantes na próxima semana em Minas Gerais, a maior região produtora de arábica do Brasil, onde os padrões climáticos influenciam diretamente o desenvolvimento da colheita e as expectativas de rendimento. Esta narrativa meteorológica chega num momento crítico, pois a Conab, agência oficial de previsão de colheita do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção total para 2025 em 4 de dezembro, projetando 56,54 milhões de sacos — mais 2,4% face à previsão de setembro de 55,20 milhões de sacos. As projeções de oferta abundante normalmente pressionam os preços, estabelecendo um sentimento de baixa que se estende a ambos os contratos futuros de arábica e robusta.
Aumento das Exportações do Vietname Pressiona os Contratos de Robusta
O domínio do Vietname na produção de robusta acrescenta uma camada adicional de pressão descendente sobre os contratos futuros de robusta. Segundo o relatório do Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname divulgado a 5 de janeiro, as exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, demonstrando um impulso acelerado nas vendas internacionais. Olhando para o futuro, a produção de café do Vietname em 2025/26 está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas — equivalente a 29,4 milhões de sacos e o maior volume em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname (Vicofa) previu a 24 de outubro que a produção de 2025/26 poderia atingir 10% acima do ano agrícola anterior, se as condições meteorológicas favoráveis persistirem. Como maior produtor mundial de robusta, o aumento da produção vietnamita restringe diretamente os preços futuros de robusta e limita o potencial de valorização.
Recuperação de Inventários Diminui Apoio aos Preços
Após atingir mínimos de vários anos, os inventários de café começaram a recuperar-se, prejudicando ainda mais o momentum de preços. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos a 20 de novembro, mas recuperaram para um máximo de 2,5 meses, de 461.829 sacos, até 14 de janeiro. De forma semelhante, os inventários de café robusta da ICE caíram para um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes, a 10 de dezembro, antes de se recuperarem para um máximo de 1,75 meses, de 4.609 lotes, na última sexta-feira. Esta recuperação de inventários, embora modesta em termos absolutos, sugere uma estabilização das ofertas, em vez de uma escassez que sustentaria preços mais altos. Historicamente, níveis crescentes de inventário correlacionam-se com fraqueza de preços, posicionando a trajetória atual do inventário como um obstáculo para os contratos futuros de robusta.
Sinais Mistos Sobre a Dinâmica da Oferta
A atividade recente de exportação do Brasil apresenta um quadro mais nuançado. A Cecafe reportou que as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos, com as exportações de arábica a diminuírem 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, e as de robusta a caírem drasticamente 61%, para 222.147 sacos. Embora a redução das exportações possa normalmente apoiar os preços, esta diminuição reflete parcialmente vendas menores por parte dos produtores a preços competitivamente desvantajosos, em vez de uma escassez real de oferta.
As chuvas abaixo da média em Minas Gerais durante a semana encerrada a 16 de janeiro inicialmente ofereceram suporte aos preços — a região recebeu apenas 33,9 milímetros de chuva, o que equivale a 53% da média histórica. No entanto, as previsões meteorológicas de chuvas constantes sugerem que esta vantagem de período seco poderá reverter.
Perspectiva de Oferta Global Continua Abundante
As dinâmicas globais de café acrescentam contexto à fraqueza dos contratos futuros de robusta. A Organização Internacional do Café (ICO) informou a 7 de novembro que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro-setembro) diminuíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) previu a 18 de dezembro que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Dentro deste total, a produção de arábica deverá diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta aumentará 10,9%, para 83,333 milhões de sacos — uma mudança significativa na dinâmica do mercado global de contratos futuros de robusta.
O FAS especificamente estimou que as stocks finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25, sugerindo que as ofertas permanecem adequadas para atender às expectativas de demanda.
A confluência do aumento da produção vietnamita, das ofertas globais abundantes, da recuperação dos inventários e das previsões meteorológicas brasileiras criou um ambiente desafiador para a valorização dos preços futuros de robusta. Os participantes do mercado parecem estar a reavaliar o equilíbrio entre oferta e procura, com os preços atuais a refletirem expectativas de uma disponibilidade global de café sustentada ao longo do ano de comercialização 2025/26.
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Futuros Robusta caem à medida que o Brasil se prepara para aumento de precipitação
Os mercados de café enfrentaram ventos contrários significativos na sexta-feira, com os contratos futuros de robusta a registarem uma retirada notável. Os contratos futuros de robusta ICE de março encerraram a descer 66 pontos, representando uma queda de 1,58%, ao mesmo tempo que atingiam uma mínima de 3,5 semanas. O complexo de arábica mostrou uma fraqueza ainda mais acentuada, com os contratos de arábica de março a caírem 13,25 pontos ou 3,845%, marcando uma mínima de 5,5 meses para os contratos de vencimento mais próximo. A venda dupla de contratos reflete preocupações crescentes sobre a dinâmica da oferta global de café e as previsões de produção em regiões-chave de cultivo.
Mudanças Climáticas Alteram Perspectivas de Oferta no Brasil
O principal catalisador para as perdas de sexta-feira centra-se nas expectativas meteorológicas para o cinturão principal de café do Brasil. As previsões indicam chuvas constantes na próxima semana em Minas Gerais, a maior região produtora de arábica do Brasil, onde os padrões climáticos influenciam diretamente o desenvolvimento da colheita e as expectativas de rendimento. Esta narrativa meteorológica chega num momento crítico, pois a Conab, agência oficial de previsão de colheita do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção total para 2025 em 4 de dezembro, projetando 56,54 milhões de sacos — mais 2,4% face à previsão de setembro de 55,20 milhões de sacos. As projeções de oferta abundante normalmente pressionam os preços, estabelecendo um sentimento de baixa que se estende a ambos os contratos futuros de arábica e robusta.
Aumento das Exportações do Vietname Pressiona os Contratos de Robusta
O domínio do Vietname na produção de robusta acrescenta uma camada adicional de pressão descendente sobre os contratos futuros de robusta. Segundo o relatório do Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname divulgado a 5 de janeiro, as exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, demonstrando um impulso acelerado nas vendas internacionais. Olhando para o futuro, a produção de café do Vietname em 2025/26 está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas — equivalente a 29,4 milhões de sacos e o maior volume em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname (Vicofa) previu a 24 de outubro que a produção de 2025/26 poderia atingir 10% acima do ano agrícola anterior, se as condições meteorológicas favoráveis persistirem. Como maior produtor mundial de robusta, o aumento da produção vietnamita restringe diretamente os preços futuros de robusta e limita o potencial de valorização.
Recuperação de Inventários Diminui Apoio aos Preços
Após atingir mínimos de vários anos, os inventários de café começaram a recuperar-se, prejudicando ainda mais o momentum de preços. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos a 20 de novembro, mas recuperaram para um máximo de 2,5 meses, de 461.829 sacos, até 14 de janeiro. De forma semelhante, os inventários de café robusta da ICE caíram para um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes, a 10 de dezembro, antes de se recuperarem para um máximo de 1,75 meses, de 4.609 lotes, na última sexta-feira. Esta recuperação de inventários, embora modesta em termos absolutos, sugere uma estabilização das ofertas, em vez de uma escassez que sustentaria preços mais altos. Historicamente, níveis crescentes de inventário correlacionam-se com fraqueza de preços, posicionando a trajetória atual do inventário como um obstáculo para os contratos futuros de robusta.
Sinais Mistos Sobre a Dinâmica da Oferta
A atividade recente de exportação do Brasil apresenta um quadro mais nuançado. A Cecafe reportou que as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos, com as exportações de arábica a diminuírem 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, e as de robusta a caírem drasticamente 61%, para 222.147 sacos. Embora a redução das exportações possa normalmente apoiar os preços, esta diminuição reflete parcialmente vendas menores por parte dos produtores a preços competitivamente desvantajosos, em vez de uma escassez real de oferta.
As chuvas abaixo da média em Minas Gerais durante a semana encerrada a 16 de janeiro inicialmente ofereceram suporte aos preços — a região recebeu apenas 33,9 milímetros de chuva, o que equivale a 53% da média histórica. No entanto, as previsões meteorológicas de chuvas constantes sugerem que esta vantagem de período seco poderá reverter.
Perspectiva de Oferta Global Continua Abundante
As dinâmicas globais de café acrescentam contexto à fraqueza dos contratos futuros de robusta. A Organização Internacional do Café (ICO) informou a 7 de novembro que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro-setembro) diminuíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) previu a 18 de dezembro que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Dentro deste total, a produção de arábica deverá diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta aumentará 10,9%, para 83,333 milhões de sacos — uma mudança significativa na dinâmica do mercado global de contratos futuros de robusta.
O FAS especificamente estimou que as stocks finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25, sugerindo que as ofertas permanecem adequadas para atender às expectativas de demanda.
A confluência do aumento da produção vietnamita, das ofertas globais abundantes, da recuperação dos inventários e das previsões meteorológicas brasileiras criou um ambiente desafiador para a valorização dos preços futuros de robusta. Os participantes do mercado parecem estar a reavaliar o equilíbrio entre oferta e procura, com os preços atuais a refletirem expectativas de uma disponibilidade global de café sustentada ao longo do ano de comercialização 2025/26.