O mercado de açúcar enfrenta uma pressão sustentada à medida que múltiplos grandes produtores avançam para uma produção recorde na temporada 2025-26. Relatórios recentes de órgãos-chave do setor revelam que fornecimentos abundantes estão a remodelar as expectativas de preços, com a produção global a subir enquanto os compradores enfrentam um período prolongado de condições favoráveis de preços. Este relatório sobre o açúcar analisa a confluência de fatores que impulsionam o ambiente atual do mercado e o que está por vir.
Produção Recorde nos Principais Exportadores Testa o Equilíbrio do Mercado
Brasil, Índia e Tailândia — as maiores regiões produtoras de açúcar do mundo — estão todas a reportar aumentos substanciais na produção. Segundo a Conab, o órgão de previsão de colheitas do Brasil, a produção de açúcar do país para 2025-26 foi elevada para 45 milhões de toneladas métricas (MMT), representando uma revisão ascendente significativa. A mudança nas prioridades de moagem também contribuiu para esse aumento, com os produtores brasileiros a aumentar a proporção de cana dedicada à produção de açúcar em vez de usos alternativos.
A situação da Índia é igualmente notável. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) reportou que a produção até meados de janeiro atingiu 15,9 MMT, já um aumento de 22% em relação ao ano anterior nesta fase inicial da temporada. A associação posteriormente elevou sua previsão para o ano completo de 2025-26 para 31 MMT, representando um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Criticamente, o programa de etanol da Índia consumiu menos açúcar do que o inicialmente esperado, liberando inventário para potenciais mercados de exportação.
A Tailândia, a terceira maior produtora de açúcar do mundo e segunda maior exportadora, contribui para o quadro mais amplo de oferta. A Thai Sugar Millers Corporation projetou que a produção de 2025-26 subiria aproximadamente 5% em relação ao ano anterior, para 10,5 MMT, acrescentando mais à equação de disponibilidade global.
Surplus de Oferta Global Supera o Crescimento da Demanda
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) previu um excedente de 1,625 milhão de MT para a temporada 2025-26, uma reversão acentuada do déficit do ano anterior. A organização também projeta que a produção global subirá 3,2% em relação ao ano anterior, para 181,8 milhões de MT, superando substancialmente o crescimento esperado de 1,4% no consumo. Outros analistas apresentam uma imagem ainda mais expansiva: Czarnikow, uma firma de comércio de açúcar de destaque, estima o excedente global de 2025-26 em 8,7 MMT, enquanto a Covrig Analytics projeta 4,7 MMT.
Essa dinâmica de excedente altera fundamentalmente o pano de fundo tanto para os preços quanto para as estratégias de exportação. A previsão de dezembro do USDA projetou uma produção global recorde de 189,3 MMT, enquanto o consumo foi estimado em 177,9 MMT, sugerindo que os estoques finais diminuiriam apenas modestamente apesar do boom de produção.
Políticas de Exportação e Acesso ao Mercado Remodelam a Competição
Um fator-chave de pressão de preços de curto prazo tem sido o compromisso da Índia de exportar volumes adicionais. O governo aprovou que as usinas exportem 1,5 MMT durante a temporada 2025-26 após o secretário de alimentos da Índia sinalizar uma potencial flexibilidade nas quotas de exportação para gerir as condições de abastecimento interno. A Índia implementou controles rígidos de exportação a partir de 2022-23, após interrupções na chuva, portanto, essa mudança recente na política representa uma alteração significativa nos fluxos comerciais globais.
Essa disposição para exportar pode ajudar a absorver o aumento de produção da Índia, mas também introduz oferta adicional nos mercados mundiais exatamente quando outros grandes produtores também estão a aumentar volumes.
Sinais Mistos para 2026-27: Quando a Oferta Pode Encolher
Embora a temporada atual indique um excesso sustentado, previsões de médio prazo sugerem uma possível moderação. A Safras & Mercado, uma consultora focada na agricultura brasileira, projeta que a produção do Brasil em 2026-27 diminuirá aproximadamente 3,9%, para 41,8 MMT, em relação às 43,5 MMT esperadas na temporada atual. A firma estima ainda que as exportações brasileiras em 2026-27 serão de 30 MMT, uma redução de 11% em relação aos níveis do ano atual.
A Covrig Analytics projeta igualmente que o excedente global de 2026-27 se comprimirá para 1,4 MMT, a partir das estimativas atuais, sugerindo que condições de mercado mais apertadas podem surgir se a produção decepcionar em relação às previsões.
Implicações de Mercado e Pressões de Preço
A perspetiva imediata para o mercado de açúcar reflete a realidade de um excesso substancial. Embora os preços de curto prazo enfrentem obstáculos devido à abundância de produção, a visão de longo prazo sugere que margens estreitas e preços fracos podem, em última análise, desencorajar futuras plantações, potencialmente criando um ambiente de oferta e procura mais equilibrado nas temporadas seguintes. Os traders que monitorarem este relatório de açúcar devem permanecer atentos tanto aos dados de produção de curto prazo quanto às decisões políticas que governam a disponibilidade de exportação, pois esses fatores continuarão a moldar a direção dos preços nos meses vindouros.
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Relatório Global de Açúcar: Como o Aumento da Produção Está a Mudar a Dinâmica do Mercado
O mercado de açúcar enfrenta uma pressão sustentada à medida que múltiplos grandes produtores avançam para uma produção recorde na temporada 2025-26. Relatórios recentes de órgãos-chave do setor revelam que fornecimentos abundantes estão a remodelar as expectativas de preços, com a produção global a subir enquanto os compradores enfrentam um período prolongado de condições favoráveis de preços. Este relatório sobre o açúcar analisa a confluência de fatores que impulsionam o ambiente atual do mercado e o que está por vir.
Produção Recorde nos Principais Exportadores Testa o Equilíbrio do Mercado
Brasil, Índia e Tailândia — as maiores regiões produtoras de açúcar do mundo — estão todas a reportar aumentos substanciais na produção. Segundo a Conab, o órgão de previsão de colheitas do Brasil, a produção de açúcar do país para 2025-26 foi elevada para 45 milhões de toneladas métricas (MMT), representando uma revisão ascendente significativa. A mudança nas prioridades de moagem também contribuiu para esse aumento, com os produtores brasileiros a aumentar a proporção de cana dedicada à produção de açúcar em vez de usos alternativos.
A situação da Índia é igualmente notável. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) reportou que a produção até meados de janeiro atingiu 15,9 MMT, já um aumento de 22% em relação ao ano anterior nesta fase inicial da temporada. A associação posteriormente elevou sua previsão para o ano completo de 2025-26 para 31 MMT, representando um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Criticamente, o programa de etanol da Índia consumiu menos açúcar do que o inicialmente esperado, liberando inventário para potenciais mercados de exportação.
A Tailândia, a terceira maior produtora de açúcar do mundo e segunda maior exportadora, contribui para o quadro mais amplo de oferta. A Thai Sugar Millers Corporation projetou que a produção de 2025-26 subiria aproximadamente 5% em relação ao ano anterior, para 10,5 MMT, acrescentando mais à equação de disponibilidade global.
Surplus de Oferta Global Supera o Crescimento da Demanda
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) previu um excedente de 1,625 milhão de MT para a temporada 2025-26, uma reversão acentuada do déficit do ano anterior. A organização também projeta que a produção global subirá 3,2% em relação ao ano anterior, para 181,8 milhões de MT, superando substancialmente o crescimento esperado de 1,4% no consumo. Outros analistas apresentam uma imagem ainda mais expansiva: Czarnikow, uma firma de comércio de açúcar de destaque, estima o excedente global de 2025-26 em 8,7 MMT, enquanto a Covrig Analytics projeta 4,7 MMT.
Essa dinâmica de excedente altera fundamentalmente o pano de fundo tanto para os preços quanto para as estratégias de exportação. A previsão de dezembro do USDA projetou uma produção global recorde de 189,3 MMT, enquanto o consumo foi estimado em 177,9 MMT, sugerindo que os estoques finais diminuiriam apenas modestamente apesar do boom de produção.
Políticas de Exportação e Acesso ao Mercado Remodelam a Competição
Um fator-chave de pressão de preços de curto prazo tem sido o compromisso da Índia de exportar volumes adicionais. O governo aprovou que as usinas exportem 1,5 MMT durante a temporada 2025-26 após o secretário de alimentos da Índia sinalizar uma potencial flexibilidade nas quotas de exportação para gerir as condições de abastecimento interno. A Índia implementou controles rígidos de exportação a partir de 2022-23, após interrupções na chuva, portanto, essa mudança recente na política representa uma alteração significativa nos fluxos comerciais globais.
Essa disposição para exportar pode ajudar a absorver o aumento de produção da Índia, mas também introduz oferta adicional nos mercados mundiais exatamente quando outros grandes produtores também estão a aumentar volumes.
Sinais Mistos para 2026-27: Quando a Oferta Pode Encolher
Embora a temporada atual indique um excesso sustentado, previsões de médio prazo sugerem uma possível moderação. A Safras & Mercado, uma consultora focada na agricultura brasileira, projeta que a produção do Brasil em 2026-27 diminuirá aproximadamente 3,9%, para 41,8 MMT, em relação às 43,5 MMT esperadas na temporada atual. A firma estima ainda que as exportações brasileiras em 2026-27 serão de 30 MMT, uma redução de 11% em relação aos níveis do ano atual.
A Covrig Analytics projeta igualmente que o excedente global de 2026-27 se comprimirá para 1,4 MMT, a partir das estimativas atuais, sugerindo que condições de mercado mais apertadas podem surgir se a produção decepcionar em relação às previsões.
Implicações de Mercado e Pressões de Preço
A perspetiva imediata para o mercado de açúcar reflete a realidade de um excesso substancial. Embora os preços de curto prazo enfrentem obstáculos devido à abundância de produção, a visão de longo prazo sugere que margens estreitas e preços fracos podem, em última análise, desencorajar futuras plantações, potencialmente criando um ambiente de oferta e procura mais equilibrado nas temporadas seguintes. Os traders que monitorarem este relatório de açúcar devem permanecer atentos tanto aos dados de produção de curto prazo quanto às decisões políticas que governam a disponibilidade de exportação, pois esses fatores continuarão a moldar a direção dos preços nos meses vindouros.