Por trás do investimento de 200 milhões de dólares de Tom Lee, a inevitabilidade da financialização do MrBeast

A análise de Wall Street, Tom Lee, através da sua empresa BitMine Immersion Technologies, acaba de anunciar um investimento de 200 milhões de dólares: uma participação na holding do influenciador global MrBeast, Beast Industries. Isto não é apenas um jogo de capital, mas um choque entre negócios de fluxo de audiência e infraestrutura financeira. A Beast Industries afirmou posteriormente que, no futuro, explorará a integração de tecnologia DeFi na plataforma de serviços financeiros que está a ser lançada — uma expressão que revela um modelo de negócio que já atingiu um ponto crítico, procurando uma via de ruptura.

O gene empresarial de MrBeast: trocar atenção por investimento elevado

Para entender por que Tom Lee escolheu investir em MrBeast, é preciso compreender a lógica empresarial desta pessoa.

Em 2017, recém-formado do ensino secundário, Jimmy Donaldson carregou um vídeo aparentemente comum — contou de 1 a 100000 durante 44 horas seguidas. Sem enredo, sem produção de alta qualidade, apenas uma pessoa repetindo números diante de uma câmara. Mas este desafio de contar de 1 a 100000 ultrapassou um milhão de visualizações, tornando-se o primeiro caso de viralidade de nível mundial, fazendo com que, aos 19 anos, ele passasse de 13 mil seguidores para uma atenção global.

Ele explicou posteriormente, numa entrevista, a ideia central dessa decisão: “Não quero ficar famoso, só quero validar uma hipótese — se dedicar todo o tempo a algo que ninguém quer fazer, o resultado será completamente diferente.”

Esta frase revela a compreensão central de MrBeast (Senhor Fera): atenção não é talento, mas algo conquistado através de investimento contínuo e resistência extrema. Desde então, essa compreensão tornou-se quase uma obsessão.

Ao contrário da maioria dos criadores, que optaram por “conservadorismo” — reduzir custos, aumentar eficiência, transformar conteúdo em fluxo de caixa estável — MrBeast fez exatamente o oposto. Em 2024, seu canal principal já ultrapassa 460 milhões de inscritos, com mais de 100 bilhões de visualizações, mas tudo isso tem um custo:

  • Cada vídeo principal custa entre 3 a 5 milhões de dólares para produzir
  • Grandes desafios ou projetos sociais custam mais de 10 milhões de dólares
  • A primeira temporada de “Beast Games” na Amazon Prime Video, por exemplo, teve prejuízo de dezenas de milhões devido à “produção descontrolada”

Ao falar desses prejuízos, MrBeast não demonstra arrependimento, mas expõe sua filosofia: “Se eu economizar, o público vai assistir a outros. Nesse nível, não dá para economizar e vencer ao mesmo tempo.” Essa frase é quase a chave para entender toda a lógica de negócios da Beast Industries.

A verdade por trás de uma receita anual de 400 milhões de dólares

Em 2024, MrBeast consolidou todas as operações sob a marca Beast Industries. Pelos números aparentes, essa empresa já ultrapassa a categoria de “atividade secundária de criador”:

  • Receita anual superior a 400 milhões de dólares
  • Atuação em produção de conteúdo, varejo de bens de consumo rápido, produtos licenciados, ferramentas
  • Após a última rodada de financiamento, a avaliação geral é de cerca de 50 bilhões de dólares

Porém, por trás desses números brilhantes, há uma realidade aguda: o negócio principal continua a gerar prejuízo.

O canal principal do YouTube de MrBeast e “Beast Games” trazem fluxo e exposição de nível mundial, mas quase consomem todo o lucro. Em contraste, sua marca de chocolates, Feastables, é o verdadeiro e estável gerador de caixa:

  • Vendas em 2024 de aproximadamente 250 milhões de dólares
  • Contribuição de mais de 20 milhões de dólares de lucro
  • Até o final de 2025, já está presente em mais de 30.000 lojas na América do Norte, incluindo Walmart, Target, 7-Eleven e outros canais principais

MrBeast já admitiu várias vezes que o custo de produção dos vídeos “está cada vez mais alto, e mais difícil de recuperar o investimento”. Mas ele continua investindo fortemente — porque, na sua lógica de negócio, isso não é pagar por um único vídeo, mas comprar fluxo para todo o ecossistema. A barreira central do negócio de chocolates não é o processo de produção, mas a capacidade de alcançar o consumidor. Quando outras marcas gastam fortunas em publicidade, ele só precisa publicar um vídeo. Nesse sentido, a rentabilidade do vídeo já não é o mais importante; enquanto Feastables continuar vendendo, o ciclo de negócio se autoalimenta.

A verdade sobre o dilema de caixa

No início de 2026, MrBeast revelou, numa entrevista ao Wall Street Journal, uma surpresa: quando questionado sobre como se sente como bilionário, ele admitiu:

“Estou basicamente em ‘caixa negativo’. Todos dizem que sou bilionário, mas meu banco não tem dinheiro.”

Não é uma frase de ostentação, mas uma consequência inevitável do seu modelo de negócio. A riqueza de MrBeast está altamente concentrada na participação acionária não listada da Beast Industries — embora possua mais de 50%, a empresa está em expansão contínua, quase sem distribuir dividendos. Ainda mais, ele deliberadamente não mantém reservas de caixa. Em junho de 2025, ele revelou nas redes sociais que, ao investir todas as suas economias na produção de vídeos, chegou a pedir dinheiro à mãe para pagar o casamento.

Sua explicação é direta: “Não olho o saldo bancário — isso influencia minhas decisões.” Essa mentalidade de investimento extremo moldou seu império de conteúdo, mas também o prendeu num paradoxo: controla o fluxo de audiência mais forte do mundo, mas vive de altos investimentos, com caixa apertado e dependência de financiamento para expansão.

Vale lembrar que, durante a bolha de NFTs em 2021, registros na blockchain mostram que MrBeast comprou e negociou muitos CryptoPunks e outros NFTs, vendendo alguns por cerca de 120 ETH (valor na época de dezenas de milhares de dólares). Com a mudança do mercado, sua postura tornou-se mais cautelosa. Essa experiência talvez o tenha alertado de que especulação pura não é uma solução de longo prazo — o que realmente precisa é de uma infraestrutura financeira sustentável.

A chegada de Tom Lee: de narrador a construtor

Nos últimos anos, a Beast Industries tem discutido uma questão central: como fazer com que os usuários não fiquem apenas assistindo conteúdo ou comprando produtos, mas entrando numa relação econômica de longo prazo, estável e sustentável? Essa é uma busca antiga das plataformas de internet — aprofundar o engajamento através de pagamentos, contas, sistemas de crédito.

Neste momento, a entrada de Tom Lee e da BitMine Immersion Technologies oferece uma direção mais estruturada para a Beast Industries.

Tom Lee, na Wall Street, sempre atuou como um “contador de histórias” do mercado. Desde a argumentação do valor do Bitcoin até a ênfase na posição estratégica do Ethereum em balanços corporativos, ele é hábil em transformar tendências tecnológicas em linguagem financeira. Mas desta vez, ele não apenas narra — o investimento da BitMine Immersion na Beast Industries é uma aposta na futura programabilidade de um fluxo de atenção.

As informações oficiais são bastante contidas: sem emissão de tokens, sem promessa de retorno, sem produtos financeiros exclusivos para fãs. Mas, por trás da frase “integrar DeFi na plataforma de serviços financeiros”, há algumas direções claras:

  • Camada de pagamento e liquidação de custos mais baixa — usando blockchain para reduzir custos de transação
  • Sistema de contas programáveis para criadores e fãs — permitindo distribuição de direitos mais flexível
  • Registro de ativos e direitos baseado em mecanismos descentralizados — aumentando a transparência financeira

Esse conjunto tem um potencial enorme, mas a implementação prática ainda apresenta desafios claros.

Desafios e possibilidades

Atualmente, no mercado, tanto projetos DeFi nativos quanto instituições financeiras tradicionais em transição ainda não estabeleceram um modelo de negócio sustentável. Se a Beast Industries não conseguir encontrar um diferencial nesta competição acirrada, a complexidade financeira pode acabar corroendo seu capital mais valioso: a fidelidade e confiança dos fãs.

MrBeast já afirmou várias vezes: “Se algum dia o que faço prejudicar os espectadores, prefiro não fazer nada.” Essa frase pode ser testada repetidamente em cada tentativa de financiarização futura.

Quando a máquina de atenção mais poderosa do mundo começa a construir infraestrutura financeira de forma séria, ela será uma nova plataforma financeira ou uma aventura de risco excessivo? A resposta não será imediata. Mas uma coisa é certa: MrBeast e Tom Lee sabem que o maior capital não é o sucesso passado, mas o direito de “recomeçar” continuamente.

Aliás, MrBeast tem apenas 27 anos. A entrada de Tom Lee e da BitMine Immersion pode ser apenas o primeiro capítulo desta história.

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