Em muitas famílias na China, o que as crianças mais temem não é cometer erros, magoar-se ou enfrentar coisas ruins, mas a reação dos pais ao descobri-los. Alguns pais, assim que suas emoções são acionadas, perdem o controle: acusam, insultam, exageram as consequências, sem distinguir o certo do errado. Com o tempo, as crianças aprendem não a assumir responsabilidades, mas a esconder a verdade. Quando são maltratadas ou se sentem injustiçadas lá fora, sua primeira reação não é pedir ajuda, mas ficar em silêncio — porque, mais do que a dor física, o que assusta é a tempestade emocional dos pais. Esse ambiente familiar ensina às crianças que não é “o mundo é perigoso”, mas que “os pais não são seguros”.



Além da perda de controle emocional, há uma outra forma mais oculta, mas igualmente prejudicial, de desgaste prolongado sob o pretexto de “amor”. Em muitas famílias chinesas, os pais têm o hábito de transferir continuamente emoções, pressões, responsabilidades e tarefas para as crianças: tudo, grande ou pequeno, é dirigido a elas; quando estão mal, desabafam nelas; se a vida não vai bem, fazem-nas assumir. À primeira vista, parece que “não podem viver sem você” ou “precisam de você”, mas, na verdade, trata-se de uma cobrança sem limites. Porque o verdadeiro cuidado é não incomodar; a verdadeira compreensão é primeiro pensar se o outro consegue suportar. Muitas crianças que crescem nesse ambiente acabam pensando que “ser necessário é ser amado”, e assim, gastam suas próprias forças até o esgotamento, só percebendo tarde que isso não é amor, mas desgaste.

E a desordem na relação dos pais costuma ser a primeira e mais profunda ferida psicológica das crianças. As discussões entre os pais são o primeiro filme de terror que muitas crianças assistiram. Brigas, insultos, empurrões, objetos jogados — essas cenas ficam gravadas na memória como pregos. Ainda mais cruel é que, nos momentos de maior perda de controle emocional, os pais puxam a criança para dentro de sua guerra, perguntando aquela frase que destrói a sensação de segurança: “Se nos divorciarmos, com quem você ficará?” A criança é forçada a escolher um lado, a assumir consequências que não lhe pertencem. A partir daquele momento, a casa deixa de ser um refúgio e passa a ser um lugar à beira de desabar a qualquer momento.

A instabilidade emocional dos pais, a cobrança sem limites e a desordem na relação íntima juntas moldam o medo, a necessidade de agradar e a culpa excessiva das crianças. Elas aprendem a interpretar sinais, reprimir necessidades e antecipar-se às emoções dos outros, mas raramente são ensinadas a proteger a si mesmas.

Portanto, um vínculo familiar verdadeiramente maduro e que vale a pena não se sustenta sacrificando a vida das crianças. Deve ser emocionalmente controlado, ter limites claros e não colocar os problemas dos adultos de forma ilimitada sobre os ombros dos filhos. Crianças com a cabeça clara precisam distinguir o que é amor e o que é desgaste; e pais verdadeiramente fortes sabem conter-se no amor e refletir na relação. Só assim, a casa não se tornará um lugar que a criança desejará fugir por toda a vida.
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