No início de 2025, algo movimentou bastante Washington — um departamento governamental nomeado DOGE, com o código do Dogecoin, que entrou no sistema político tradicional com a ousadia do Vale do Silício e a impaciência do mundo cripto. Em apenas 294 dias, saiu silenciosamente do palco da história.
Esse período de tempo é exatamente como as memecoins efêmeras do mercado de criptomoedas. Desde o nascimento até a dissolução, o DOGE se tornou quase um estudo de caso completo de uma invasão da economia simbólica na política real.
O Encanto Político do Cachorrinho e da Serra Elétrica
Em 20 de janeiro de 2025, no primeiro dia de mandato de Trump, foi assinada uma ordem executiva para criar esse departamento. O nome não foi escolhido ao acaso — o código do Dogecoin foi diretamente incorporado ao nome do órgão, e o site oficial exibia imagens de cães shiba por toda parte. Quem conhece o mundo cripto percebeu de imediato: estavam brincando com alguma jogada.
Elon Musk, fã fervoroso do Dogecoin, decidiu inserir a cultura do meme na política. Ele postou uma foto no Twitter segurando uma serra elétrica, com a legenda “Serra elétrica para o burocratismo”, num estilo que lembra sua propaganda de Dogecoin — radical, brincalhão, carregado de cultura da internet.
As instituições tradicionais prezam por seriedade, formalidade e rigidez, mas o DOGE veio quebrar esses moldes. O site do departamento foi desenhado com elementos de criptografia, e o modo de operação não se parecia nada com uma burocracia governamental. Qual foi o efeito? Conquistou a simpatia da geração jovem e dos nativos digitais, gerando uma enorme repercussão na opinião pública.
Startups do Vale do Silício na Casa Branca
O funcionamento do DOGE parecia mais uma startup do Vale do Silício do que uma agência governamental convencional. Musk recrutou cerca de 50 jovens na faixa dos vinte anos, que passaram a ser chamados de “soldados de brinquedo”.
Vestidos com moletons e jeans, energizados por Red Bull, eles se deslocavam diariamente entre diferentes órgãos federais. Em três semanas, já tinham colocado pessoas, controlado fundos e avaliado projetos — uma eficiência surpreendente.
A inteligência artificial tornou-se sua ferramenta principal. Desde a gestão de contratos e alocações até reembolsos de viagens, tudo era processado por dados. A IA identificou rapidamente desperdícios, como edifícios públicos ociosos, que foram desocupados imediatamente, economizando 1,5 bilhão de dólares. Essa mentalidade de “iterações rápidas e quebra de regras” do Vale do Silício causou um grande conflito em Washington — eles exigiam relatórios semanais dos funcionários, e quem não entregasse era considerado resignado; quem não comparecia ao trabalho era tratado como licença administrativa. Essa abordagem funciona em startups, mas no governo se tornou um problema.
Discrepâncias entre Narrativa e Realidade
No começo, o DOGE tinha grandes objetivos. Musk anunciou uma redução de 2 trilhões de dólares no orçamento federal, enquanto Ramachandran propôs otimizar 70% dos funcionários públicos federais — números que lembram as exageradas táticas de marketing do mercado cripto, com o objetivo de atrair atenção e gerar entusiasmo.
Porém, a realidade foi dura. O DOGE anunciou uma economia de cerca de 160 bilhões de dólares, menos de um quinto do alvo inicial. Uma grande lacuna apareceu entre a narrativa grandiosa e a execução prática.
O que foi ainda mais difícil de engolir foi a denúncia do Comitê de Investigação Permanente do Senado dos EUA (PSI), que revelou que em seis meses o DOGE “desperdiçou” mais de 21 bilhões de dólares. Programas de empréstimos do Departamento de Energia foram congelados, resultando em perdas de aproximadamente 263 milhões de dólares em juros; a USAID parou suas operações, e alimentos e medicamentos no valor de cerca de 110 milhões de dólares apodreceram estocados.
Essas operações brutais causaram forte reação. Procuradores-gerais democratas de 14 estados processaram Musk e Trump por violação de cláusulas constitucionais. O DOGE enfrentou quase 20 acusações, que iam desde violações de privacidade até acessos não autorizados a dados sensíveis do governo — uma sequência de problemas que só aumentava.
O Último Meme do Escritório Oval
Em maio deste ano, Musk anunciou que deixaria o cargo no DOGE, e rompeu publicamente com Trump sobre a questão do “Lei Grande e Bonita”. Durante o verão, os membros do DOGE começaram a sair do seu quartel-general, e as barreiras de segurança e os sinais de acesso autorizado desapareceram.
O diretor da Agência de Administração de Pessoal, Scott Cooper, confirmou oficialmente que o DOGE deixou de existir neste mês. Suas funções foram transferidas para a própria agência, e o grande processo de recrutamento de toda a administração pública foi encerrado.
Os integrantes do time do DOGE foram dispersos por outros cargos no governo. Joe Gebbia, cofundador do Airbnb, assumiu a direção do Estúdio de Design Nacional, e Zachary Treel tornou-se CTO do Departamento de Saúde e Serviços Sociais. O que isso indica? O experimento do DOGE chegou ao fim, mas alguns de seus conceitos foram incorporados na estrutura tradicional do governo, sobrevivendo de forma mais suave.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, comentou nas redes sociais de forma bem direta: “DOGE lutou contra o pântano, mas o pântano venceu.” Assim, esse experimento com memes políticos acabou sendo conquistado pela estrutura política tradicional.
As Lições da Economia Simbólica na Realidade
A economia simbólica está infiltrando cada vez mais o campo político, e essa tendência é irreversível. A presença do DOGE marcou a fusão profunda entre política e cultura cripto — e, no futuro, poderemos ver mais instituições políticas com características “nativas do cripto”.
Porém, a questão central é: como combinar o espírito inovador do universo cripto com a estabilidade da governança tradicional? Como criar algo que seja ao mesmo tempo atrativo por símbolos e eficaz na prática?
A narrativa é uma ferramenta poderosa para construir consenso, mas se faltar implementação técnica e criação de valor, ela não passa de um castelo de areia. Quando o hype dos memes passar, o que ficará na história serão as tecnologias e projetos que realmente resolvem problemas. Essa lição vale tanto para o mundo cripto quanto para o palco político.
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O símbolo do Dogecoin sobe à Casa Branca: de 294 dias de meme político ao fim do experimento
Uma Experiência de Governar pelo Meme
No início de 2025, algo movimentou bastante Washington — um departamento governamental nomeado DOGE, com o código do Dogecoin, que entrou no sistema político tradicional com a ousadia do Vale do Silício e a impaciência do mundo cripto. Em apenas 294 dias, saiu silenciosamente do palco da história.
Esse período de tempo é exatamente como as memecoins efêmeras do mercado de criptomoedas. Desde o nascimento até a dissolução, o DOGE se tornou quase um estudo de caso completo de uma invasão da economia simbólica na política real.
O Encanto Político do Cachorrinho e da Serra Elétrica
Em 20 de janeiro de 2025, no primeiro dia de mandato de Trump, foi assinada uma ordem executiva para criar esse departamento. O nome não foi escolhido ao acaso — o código do Dogecoin foi diretamente incorporado ao nome do órgão, e o site oficial exibia imagens de cães shiba por toda parte. Quem conhece o mundo cripto percebeu de imediato: estavam brincando com alguma jogada.
Elon Musk, fã fervoroso do Dogecoin, decidiu inserir a cultura do meme na política. Ele postou uma foto no Twitter segurando uma serra elétrica, com a legenda “Serra elétrica para o burocratismo”, num estilo que lembra sua propaganda de Dogecoin — radical, brincalhão, carregado de cultura da internet.
As instituições tradicionais prezam por seriedade, formalidade e rigidez, mas o DOGE veio quebrar esses moldes. O site do departamento foi desenhado com elementos de criptografia, e o modo de operação não se parecia nada com uma burocracia governamental. Qual foi o efeito? Conquistou a simpatia da geração jovem e dos nativos digitais, gerando uma enorme repercussão na opinião pública.
Startups do Vale do Silício na Casa Branca
O funcionamento do DOGE parecia mais uma startup do Vale do Silício do que uma agência governamental convencional. Musk recrutou cerca de 50 jovens na faixa dos vinte anos, que passaram a ser chamados de “soldados de brinquedo”.
Vestidos com moletons e jeans, energizados por Red Bull, eles se deslocavam diariamente entre diferentes órgãos federais. Em três semanas, já tinham colocado pessoas, controlado fundos e avaliado projetos — uma eficiência surpreendente.
A inteligência artificial tornou-se sua ferramenta principal. Desde a gestão de contratos e alocações até reembolsos de viagens, tudo era processado por dados. A IA identificou rapidamente desperdícios, como edifícios públicos ociosos, que foram desocupados imediatamente, economizando 1,5 bilhão de dólares. Essa mentalidade de “iterações rápidas e quebra de regras” do Vale do Silício causou um grande conflito em Washington — eles exigiam relatórios semanais dos funcionários, e quem não entregasse era considerado resignado; quem não comparecia ao trabalho era tratado como licença administrativa. Essa abordagem funciona em startups, mas no governo se tornou um problema.
Discrepâncias entre Narrativa e Realidade
No começo, o DOGE tinha grandes objetivos. Musk anunciou uma redução de 2 trilhões de dólares no orçamento federal, enquanto Ramachandran propôs otimizar 70% dos funcionários públicos federais — números que lembram as exageradas táticas de marketing do mercado cripto, com o objetivo de atrair atenção e gerar entusiasmo.
Porém, a realidade foi dura. O DOGE anunciou uma economia de cerca de 160 bilhões de dólares, menos de um quinto do alvo inicial. Uma grande lacuna apareceu entre a narrativa grandiosa e a execução prática.
O que foi ainda mais difícil de engolir foi a denúncia do Comitê de Investigação Permanente do Senado dos EUA (PSI), que revelou que em seis meses o DOGE “desperdiçou” mais de 21 bilhões de dólares. Programas de empréstimos do Departamento de Energia foram congelados, resultando em perdas de aproximadamente 263 milhões de dólares em juros; a USAID parou suas operações, e alimentos e medicamentos no valor de cerca de 110 milhões de dólares apodreceram estocados.
Essas operações brutais causaram forte reação. Procuradores-gerais democratas de 14 estados processaram Musk e Trump por violação de cláusulas constitucionais. O DOGE enfrentou quase 20 acusações, que iam desde violações de privacidade até acessos não autorizados a dados sensíveis do governo — uma sequência de problemas que só aumentava.
O Último Meme do Escritório Oval
Em maio deste ano, Musk anunciou que deixaria o cargo no DOGE, e rompeu publicamente com Trump sobre a questão do “Lei Grande e Bonita”. Durante o verão, os membros do DOGE começaram a sair do seu quartel-general, e as barreiras de segurança e os sinais de acesso autorizado desapareceram.
O diretor da Agência de Administração de Pessoal, Scott Cooper, confirmou oficialmente que o DOGE deixou de existir neste mês. Suas funções foram transferidas para a própria agência, e o grande processo de recrutamento de toda a administração pública foi encerrado.
Os integrantes do time do DOGE foram dispersos por outros cargos no governo. Joe Gebbia, cofundador do Airbnb, assumiu a direção do Estúdio de Design Nacional, e Zachary Treel tornou-se CTO do Departamento de Saúde e Serviços Sociais. O que isso indica? O experimento do DOGE chegou ao fim, mas alguns de seus conceitos foram incorporados na estrutura tradicional do governo, sobrevivendo de forma mais suave.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, comentou nas redes sociais de forma bem direta: “DOGE lutou contra o pântano, mas o pântano venceu.” Assim, esse experimento com memes políticos acabou sendo conquistado pela estrutura política tradicional.
As Lições da Economia Simbólica na Realidade
A economia simbólica está infiltrando cada vez mais o campo político, e essa tendência é irreversível. A presença do DOGE marcou a fusão profunda entre política e cultura cripto — e, no futuro, poderemos ver mais instituições políticas com características “nativas do cripto”.
Porém, a questão central é: como combinar o espírito inovador do universo cripto com a estabilidade da governança tradicional? Como criar algo que seja ao mesmo tempo atrativo por símbolos e eficaz na prática?
A narrativa é uma ferramenta poderosa para construir consenso, mas se faltar implementação técnica e criação de valor, ela não passa de um castelo de areia. Quando o hype dos memes passar, o que ficará na história serão as tecnologias e projetos que realmente resolvem problemas. Essa lição vale tanto para o mundo cripto quanto para o palco político.