O jornal britânico «Financial Times», na quinta-feira, citou fontes com conhecimento do assunto, segundo as quais a Tether, a maior emitente global de stablecoins, contratou a KPMG, uma das quatro grandes firmas de contabilidade, para realizar uma auditoria financeira completa ao USDT, com uma capitalização de 185 mil milhões de dólares.
Ao mesmo tempo, a Tether também contratou a PwC, outra das quatro grandes firmas de contabilidade, para ajudar a organizar e otimizar os sistemas internos e os processos financeiros da empresa, em preparação para a auditoria que se avizinha. Esta medida é vista como o passo mais concreto e mais inovador dado pela Tether no sentido de uma maior «transparência financeira» desde a sua fundação.
O diretor financeiro da Tether, Simon McWilliams, já tinha afirmado mais cedo esta semana que a empresa «já opera de acordo com as normas de auditoria das quatro grandes firmas de contabilidade» e comprometeu-se a que «o relatório final da auditoria será obrigatoriamente entregue ao público dentro do prazo».
Esta ação de auditoria está a decorrer no momento em que a Tether prepara a entrada no mercado norte-americano e inicia uma nova ronda de financiamento. O «Financial Times» tinha noticiado anteriormente que a Tether procurou angariar entre 15 e 20 mil milhões de dólares no mercado, com uma avaliação impressionante de 500 mil milhões de dólares, mas, devido a uma valoração demasiado elevada, bem como a potenciais riscos regulatórios, muitos investidores institucionais ficaram reticentes.
Atualmente, os ativos de reserva da Tether são maioritariamente emitidos mensalmente pela filial italiana da BDO, a quinta maior firma de contabilidade a nível mundial, a BDO Italia, através de «relatórios de atestação (Attestation)», que diferem de forma fundamental de uma auditoria completa às demonstrações financeiras, a qual exige uma verificação detalhada dos ativos, passivos, controlos internos e sistemas de reporte.
Desde que lançou o USDT em 2014, nunca cessaram as dúvidas levantadas pelo público sobre se este tem reservas em dólares suficientes. Recorde-se que, em 2021, o portal estrangeiro «CoinDesk» recorreu à «Freedom of Information Law» (FOIL) para solicitar ao Gabinete do Procurador-Geral do Estado de Nova Iorque a divulgação dos detalhes das reservas do USDT; na altura, a Tether chegou a levar o caso a tribunal, mas acabou por perder por duas vezes.
Após um confronto jurídico que durou quase dois anos, estes documentos confidenciais acabaram por ser divulgados em 2023. Os dados indicam que, até março de 2021, a maior parte dos impressionantes 40,6 mil milhões de dólares em reservas da Tether estava depositada no banco Deltec, nas Bahamas, e que a empresa mantinha também uma grande quantidade de papel comercial emitido por bancos chineses e internacionais, incluindo o Agricultural Bank of China, o Bank of China (Hong Kong) e o Industrial and Commercial Bank of China.
Estas revelações deram origem a discussões no mercado sobre risco de liquidez e de crédito. No entanto, nos últimos anos, a afetação de ativos da Tether tem vindo gradualmente a transitar para Treasuries de curto prazo dos EUA, reduzindo a exposição a papel comercial.
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