Alguns dias atrás, passei na loja Seven Days ao lado da escola e percebi que a placa foi retirada, substituída por uma sala de estudos.


Eu trabalhei na recepção desse hotel por meio ano antes. Era 2014, e os quartos por hora nos finais de semana tinham que ser conquistados. Todos eram casais de universidades próximas, entregando identidade e carteira de estudante juntos, algumas moças ainda ligando para as colegas dizendo que ajudariam a esconder a visita à noite.
No ano passado, esse estabelecimento fechou. Não foi por fiscalização, foi porque ninguém vinha mais. Pesquisei e descobri que, este ano, a taxa de ocupação de hotéis no país ultrapassou 11%, e a receita por quarto caiu quase 10%.
Aquele grupo de estudantes universitários que antes lutava por quartos por hora agora já passou dos trinta. Eles não são sem dinheiro para abrir quartos, simplesmente não abrem. Recentemente, vi uma pesquisa dizendo que, entre os casados, a proporção de homens da geração pós-95 que não tiveram vida sexual durante o ano passado chega a quase 15%, quase o dobro dos seus pais. Quanto maior o nível de escolaridade, menor a frequência. Homens formados em mestrado, que ainda mantêm uma vez por semana, representam menos de 30%.
Enviei uma captura da pesquisa para um amigo de faculdade. Ele demorou um pouco para responder com seis palavras: “Muito cansado, não quero mais.”
Ele trabalha em uma grande empresa, sai de casa às sete da manhã e chega às onze da noite. Ainda tem um financiamento de vinte e cinco anos. Sua esposa também é nossa colega, agora dorme no quarto, enquanto ele fica no escritório. Ele me disse que nem lembra mais quando foi a última vez, só sabe que o colchão é muito macio e não consegue dormir bem.
Ao lado do escritório, naquela construção, fica o antigo Seven Days que costumávamos fazer fila. Agora, acende uma luz fria de sala de estudos, através de uma cortina, dá para ver os estudantes deitados fazendo exercícios. Ele às vezes sofre de insônia, fica na janela olhando por um tempo, dizendo que na fila para o quarto, ela ainda estava revisando inglês, e ele ri ao lembrar que ela levava o caderno de vocabulário até na hora de abrir o quarto. Depois disso, eles nunca mais abriram um quarto juntos. Ele escreveu no lembrete do celular: “Antes, na fila para o quarto, agora, na fila para o amanhecer.”
Ele colocou o celular de volta na cabeceira e continuou a reunião na manhã seguinte. Do lado do escritório, outro estudante revisava questões. A antiga Seven Days, que antes era fila, agora está iluminada por uma lâmpada incandescente, com um quadro de contagem regressiva para o exame pendurado na janela onde ela costumava revisar vocabulário. Ele nunca mais voltou lá, mas às vezes, de madrugada, ao passar de carro pelo bairro onde alugava, para na rua do outro lado, vendo aquela janela ainda com a película contra raios UV, com a luz de dentro já trocada por outra pessoa.
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