No terceiro dia de trabalho, o diretor do departamento me chamou para o escritório e disse que na sexta-feira passada um edital foi perdido, alguém viu eu saindo por último. Eu disse que não. Ele disse que a câmera de segurança estava queimada, explique por que você saiu por último. Eu disse que estava revisando uma proposta. Ele perguntou quem pode provar. Eu disse que ninguém. Ele disse que então você roubou.


Eu olhei para ele. Então perguntei, quanto vale o edital. Ele disse que isso não é questão de dinheiro. Eu pedi um valor. Ele perguntou se eu poderia pagar. Tirei meu crachá do bolso, coloquei na mesa dele e disse, não posso pagar, mas posso pedir demissão. Você escreve na minha carta de demissão que fui expulso por roubar o edital — se você tiver coragem de escrever, eu aceito.
Ele ficou um momento sem falar, e perguntou: que atitude é essa? Eu disse, você não quer um ladrão? Eu te dou um. Mas te aviso, eu não roubei o edital. Agora você pode escrever, que eu não vou embora.
Ele não escreveu. Peguei meu crachá, pendurei no pescoço e saí do escritório. O prédio inteiro estava olhando. Voltei ao meu posto, apaguei o modelo de carta de demissão, criei um novo documento com o título: Solicitação de investigação interna sobre o destino do edital da sexta-feira passada. A primeira linha dizia: Solicito a recuperação do registro de controle de acesso ao escritório do diretor do departamento na sexta-feira passada, uma hora após o horário de saída.
Naquele dia, as persianas do escritório do diretor estavam fechadas. Depois soube que ele voltou naquela noite, para pegar o selo pessoal que tinha esquecido na gaveta. O edital não foi perdido, ele apenas o trancou na própria gaveta e esqueceu.
Mais tarde, na reunião geral, ele disse que foi um mal-entendido. Eu não levantei a cabeça. No documento, adicionei mais uma linha: Mal-entendido não precisa de explicação, mas após explicar, por favor, devolva o selo ao cofre da empresa.
Ainda estou naquela empresa. Meu crachá não foi trocado, ainda é o que tirei no dia de entrada. A carta de demissão com a frase “explique por que saiu por último” eu nunca peguei. Mas o selo do diretor nunca mais apareceu na gaveta dele desde aquele dia.
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