Quando minha esposa ficou desempregada naquele ano, ela me escondeu e pegou um empréstimo online para fazer um curso de finanças.


Ela viu em um vídeo curto aquele "mentor financeiro" com cabeça calva e corrente de ouro, dizendo que só idiotas economizam, que os inteligentes fazem o dinheiro trabalhar para eles. Ela acreditou, assistiu a meio mês de aulas online, o professor todo dia postava no grupo capturas de tela de compra de casas e carros, os alunos chamando o professor de mestre. Ela pegou dois mil reais emprestados e comprou a assinatura do curso avançado.
Perguntei se aquele professor era confiável. Ela disse que centenas de pessoas no grupo estavam ganhando dinheiro, só ela ainda trabalhava. Perguntei quanto ela tinha ganho. Ela abaixou a cabeça e disse que no mês passado tinha sacado trezentos reais.
Depois, ela renovou com mais vinte e oito mil, foi o próprio professor quem ligou recomendando, dizendo que ela precisava subir para o nível de sócia para ver o verdadeiro conteúdo. Ela já tinha visto, era aquele professor ao lado de um Maybach, segurando uma captura de pagamento de um aluno, gritando quem era o rei mais forte. Ela me disse que estava no carro, que o Maybach era alugado. Ela não saiu do carro.
Eu paguei aquela dívida por ela, não nos separamos. Não é que eu a odeie, mas o dinheiro do banco não dá para dividir com ela. Já faz quase um ano que estou pagando, e toda vez que pago uma parcela, anoto no lembrete do celular. Ela perguntou o que eu anotava, eu disse que era a conta. Não contei que a última linha da conta dizia: “Qdo pagar, vou embora.”
Na semana passada, ela viu uma notícia de que aquele cara com a corrente de ouro tinha sido preso, por um golpe de vários bilhões. Ela sentou ao meu lado, me mostrou a notícia e disse que finalmente ele tinha sido preso. Eu concordei. Ela perguntou por que eu não a impediu na época. Eu disse que tentei, mas ela disse que eu tinha visão pequena.
Ela ficou em silêncio. Depois de um tempo, perguntou o que exatamente eu tinha anotado no lembrete. Entreguei o celular para ela, ela passou por tudo, até chegar na última linha. Ela olhou fixamente para a tela por um longo tempo, depois disse: “Você pode deletar essa frase?” Eu respondi que não podia. Porque aquilo era o que eu paguei por ela, não o que ela gastou. Essa dívida ainda tem três meses para acabar. Ela ainda não me contou como pretende pagar.
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