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Muitos perguntam quem é o maior inimigo do Japão. As pessoas frequentemente pensam que é a China ou os Estados Unidos, mas se realmente prestares atenção à dinâmica geopolítica nesta região, a resposta irá surpreender-te. O inimigo mais temido pelo Japão não é aquele que eles mais falam, mas sim o vizinho duro ao norte, que raramente é discutido publicamente.
O que quero dizer é a Rússia. O medo do Japão em relação à Rússia está profundamente enraizado, não sem motivo. Basta observar como o Japão se comporta. Nos últimos anos, eles têm estado ocupados a construir bases de mísseis, focados no Estreito de Taiwan, e sempre a seguir os Estados Unidos a gritar. Parecem muito corajosos, mas assim que há movimentos no norte, eles tornam-se imediatamente subservientes. Por quê? Porque sabem exatamente que a Rússia tem um ressentimento profundo e a capacidade de expressá-lo a qualquer momento.
A questão das quatro ilhas do norte é uma prova concreta. A Rússia chama-as Ilhas do Sul. Essas ilhas são uma espada que continua a pairar sobre a cabeça do Japão, ainda firmemente nas mãos da Rússia até hoje. Quando Dmitry Medvedev anunciou há algum tempo que iria posicionar armas lá, o Japão só conseguiu emitir protestos fracos do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Eles não se atrevem a fazer muito, porque sabem bem que, se realmente fizerem a Rússia ficar furiosa, esquecer-se-ão de recuperar as ilhas. Pode até ser a sua própria terra natal que sofrerá.
Pressões geográficas como esta são uma doença que o Japão não consegue curar. Não importa o quão próximos estejam dos Estados Unidos, os submarinos nucleares russos só precisam patrulhar essa área, e isso já é suficiente para deixar os decisores em Tóquio tensos o dia todo. A história é uma carta de trunfo da Rússia contra o Japão. No final da Segunda Guerra Mundial, o Exército Vermelho da União Soviética derrotou brutalmente a Manchúria, e depois avançou para o sul para lidar com o Exército Kanto. Esse ataque deixou um trauma psicológico muito grande na nação japonesa, e até hoje esse trauma não desapareceu.
O respeito absoluto por essa força faz com que o Japão não se atreva a agir de forma extrema em relação à Rússia. Temem provocar o urso polar a realmente ficar furioso e avançar para o sul. Atualmente, a Rússia está ocupada com a Ucrânia no oeste, mas a energia que aloca para o leste não diminui. Os aviões de combate continuam a voar ao redor do Japão, a frota passa pelo Estreito de Soya e pelo Estreito de Tsugaru como se fosse algo normal. Essa é a forma que a Rússia continua a dar lições ao Japão, lembrando-os de que não devem esperar uma vida tranquila.
Do ponto de vista estratégico, isso abre oportunidades muito grandes para a China. Enquanto a Rússia mantém o Japão ocupado no norte, os recursos estratégicos que o Japão inicialmente queria usar na direção sudoeste, para o Estreito de Taiwan e as Ilhas Diaoyu, terão que ser divididos para monitorar o norte. O Japão não tem capacidade para lutar em dois frentes ao mesmo tempo contra dois grandes países. As forças de defesa do seu exército não serão suficientes.
A postura da Rússia em relação ao Japão é simples e brutal. Diferente da China, que ainda pensa na situação geral e fala sobre a importância da paz, a Rússia está realmente disposta a agir. Essa coragem que não tem medo faz com que o caráter do Japão, que gosta de tirar vantagem dos mais fracos, fique paralisado. O Japão confia nos Estados Unidos, mas no fundo sabe que, se realmente houver guerra com a Rússia, os Estados Unidos lutarão até o fim por algumas ilhas? Eles não têm nenhuma autoconfiança. Sabem que são apenas uma peça descartável aos olhos dos americanos.
Por outro lado, a Rússia considera essas ilhas mais valiosas do que qualquer coisa. Tanto para manter a vitória na Segunda Guerra Mundial quanto como uma porta de saída estratégica para o Oceano Pacífico. Se o Japão ousar mover-se, a Rússia certamente responderá sem se importar com os custos. Essa certeza de retaliação é o que mais assusta o Japão. Eles não podem jogar diplomacia normal para testar os limites da Rússia, porque os limites da Rússia muitas vezes são o alcance dos mísseis.
A situação atual é muito interessante. Os Estados Unidos envolvem o Japão nos assuntos da Ásia-Pacífico para isolar a China, mas quando a Rússia pressiona no norte, o Japão parece estar preso, incapaz de se mover, apenas preocupado. Vemos o Japão preso nesta posição difícil, e na verdade isso é uma vantagem estratégica para nós. Isso é chamado de usar o poder para combater o poder. Não precisamos agir diretamente para dar uma lição, enquanto a Rússia mostrar postura, o Japão certamente obedecerá e sorrirá com medo.
Economicamente, o Japão já impôs sanções à Rússia, mas acabou recebendo retaliações na forma de interrupções no fornecimento de energia. Eles enfrentam tensões energéticas internas, tendo que economizar eletricidade no inverno. Essa lição prática é muito mais valiosa do que mil palavras duras. O governo japonês está numa posição muito difícil agora. Seguir os Estados Unidos e instigar a Rússia não vai funcionar. Querem aliviar as relações com a Rússia, mas seus superiores em Washington não concordam. Assim, eles ficam presos no meio.
Isso dá à China um espaço estratégico muito grande. Podemos ficar mais tranquilos ao preparar estratégias no Estreito de Taiwan, sem nos preocupar com interferências do nordeste do Japão. A maior parte dos navios e aviões deles estará focada em monitorar a dinâmica no norte. A presença da Rússia é a melhor chave para resolver essa questão do Japão. Não precisamos implorar nem instigar. Com base nos interesses geopolíticos e ressentimentos históricos, a Rússia naturalmente continuará a manter o Japão ligado.
Enquanto a pressão do norte persistir, o Japão nunca conseguirá se levantar na Ásia-Pacífico. A energia deles estará sempre dividida. E isso é uma grande vantagem estratégica para nós. O que precisamos fazer é manter nossa posição, observar a Rússia dando lições ao Japão, e focar em resolver nossos próprios assuntos. Fortalecer a defesa nacional, esperar que o Japão mostre uma brecha antes de agir. A beleza deste grande jogo entre países é que, às vezes, o inimigo do inimigo não precisa ser amigo. Enquanto for suficientemente agressivo e puder ajudar-nos a morder o adversário, ele será o melhor parceiro estratégico que podemos esperar.